Ameaças teriam ocorrido dentro do Fórum Henoch Reis, na capital (Foto: Sérgio Rodrigues/ G1 AM)
Um policial militar teria ameaçado uma juíza do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) quando realizava escolta de preso durante uma audiência de custódia na segunda-feira (9), no Fórum Henoch Reis, em Manaus. De acordo com a Associação dos Magistrados do Amazonas (Amazon), o caso foi denunciado à Polícia Civil e o Comando da Polícia Militar  instaurou procedimento para apurar a conduta do PM.
Segundo a Associação, a juíza Margareth Rose Cruz Hoagen, da 4ª Vara Criminal, conduzia a audiência de custódia quando teria chamado a atenção do Policial Militar que fazia a escolta dos presos dentro da sala e que estava usando o celular no local.

O PM teria começado a gritar. Em seguida, destravado a arma de fogo utilizada por ele.

“Foram dois episódios. Primeiro ele se recusa a retirar as algemas do preso.

A outra foi que ele [PM] atendeu o telefone e não admitiu ser chamado atenção. Ele gritou com a magistrada, destravou a arma e ficou com mão sobre ela”, afirmou o presidente da Amazon, o juiz Cássio  André  Borges dos Santos.

O caso foi registrado no 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), onde juíza foi ouvida. O advogado de defesa e o promotor de Justiça que estavam no local também foram interrogados.

“Eles depuseram no mesmo sentido da magistrada”, disse o presidente da Amazon.
O presidente da Amazon afirmou que a entidade prestará apoio à magistrada e que o caso será levado à Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas.

“É um absurdo o que aconteceu dentro da sala de audiência. Não podemos ou admitiremos que situações como essa aconteçam, pois elas atingem a dignidade da profissão.

Vamos representar contra esse PM na Corregedoria”, enfatizou.
A Associação classificou a conduta do Policial Militar como criminosa.

“Exigimos investigação e punição ao PM, pois consideramos o ato um ataque ao Estado democrático de Direito. Uma postura incompatível com o cargo de policial militar.

Ele não tem noção de respeito e de hierarquia. Ele deve usar arma para nos proteger e não para intimidar a sociedade”, finalizou Cássio Borges.

Caso foi registrado no 1º DIP, no bairro Praça 14(Foto: Suelen Gonçalves/G1 AM)
Procurada pelo G1, a juíza Margareth Rose Cruz Hoagen não quis se pronunciar sobre o caso e, por meio de seu assessor, informou que não dará declarações à imprensa.
O policial militar chegou a ser detido pela Polícia Civil e liberado após pagamento de fiança de R$ 800.

O delegado do 1º DIP, Rodrigo Sá, explicou que o militar foi autuado em flagrante por ameaça e desacato. “O PM pagou fiança, mas foi encaminhado para o Comando da Polícia Militar para providências administrativas”, disse o delegado.

ApuraçãoEm nota, a Diretoria de Comunicação Social da Polícia Militar do Amazonas informou que o Comando Geral da Corporação tomou conhecimento do ocorrido por meio do Centro Integrado de Operações (Ciops).
“Informamos ainda que o Cel Marcus Frota, Comandante Geral da Polícia Militar do Amazonas determinou por meio da Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar as circunstâncias em que se deu o fato.

O Comando da PMAM informa que tem total interesse em esclarecer o ocorrido e que não compactua com atitudes que vão contra o que diz o regulamento militar e os preceitos legais. A Polícia Militar do Amazonas reafirma sua parceria com o poder judiciário e com a sociedade”, disse em nota.

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