Com a retenção, as ambulâncias ficam impossibilitadas de realizar novos atendimentos  (Foto: Jéssica Alves/G1)
A falta de leitos no Hospital de Emergências de Macapá (HE), o único pronto-socorro do estado, tem comprometido as atividades em outros setores da saúde pública, como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A coordenação do Samu em Macapá aponta que rotineiramente os veículos têm as macas retidas no HE para a acomodação de pacientes.
O hospital informou que atualmente existem 98 leitos para atender uma demanda de 200 pacientes internados.

A direção ressaltou que um planejamento para adquirir novos leitos foi iniciado junto à Secretaria de Estado de Saúde (Sesa).
De acordo com o coordenador do Samu em Macapá, Donato Farias, a retenção é problema recorrente e em algumas situações uma maca chega a ficar por até 24 horas no hospital.

Sem o equipamento, as ambulâncias não podem circular na cidade, deixando outros pacientes sem atendimento em casos de emergência. Samu diz que retenção de macas ocorrem comfrequencia (Foto: Estevam Eliel/G1)
Ele lembra que o caso mais recente ocorreu na manhã desta segunda-feira (2), quando uma mulher grávida estava em trabalho de parto no bairro Buritizal, na Zona Sul da cidade, mas não tinha ambulância para fazer o atendimento.

“Testemunhas falaram que devido à falta do atendimento, ela foi levada de carro até o hospital. A questão é complexa pois há muita entrada de pacientes no HE, mas o número de leitos que existe não é suficiente.

A retenção tem ocorrido praticamente todos os dias e com isso deixamos de atender muitos pacientes em Macapá”, lamentou o coordenador.
O serviço conta com 21 ambulâncias, entre viaturas básicas e Unidades de Terapia Intensiva (UTI) móveis, equipadas com duas macas.

De acordo com o Samu, 5 macas foram liberadas pelo hospital nesta segunda-feira.
“Toda a nossa frota estava parada por falta de macas, e entrei em contato com a Secretaria de Saúde, que encaminhou um documento para o Ministério Público.

Com isso acredito que as macas foram liberadas. Mas é algo provisório, porque logo as macas estarão retidas de novo por conta da superlotação do HE”, adianta o coordenador.

A direção do HE reconhece a superlotação do hospital e a falta de leitos, e aponta que o motivo é o atendimento de pacientes de Macapá, distritos e outros municípios do estado, sendo que a unidade opera acima de sua capacidade máxima.
Enquanto a questão não é solucionada, Farias diz que a população é quem perde.

“O maior prejuízo não é para o Samu, é para a população que fica prejudicada porque não está tendo acesso a um serviço de urgência e emergência pré-hospitalar que a gente oferece”, argumenta o coordenador.
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