Michelle virou palhaça Marylu na ONG Prohumanos (Foto: Michelle Ribeiro/Arquivo pessoal)Após perder a única filha, a estudante de Recursos Humanos Michelle Ribeiro, de 32 anos, decidiu se transformar na palhaça Marylu na Organização Não Governamental Prohumanos em Uberlândia. O nome foi inspirado na filha Maria Luísa. Hoje a palhaça leva atenção, alegria e esperança a crianças de hospitais.

“Pensei várias vezes em desistir, mas algo sempre me chamava a continuar. Muitas histórias de pacientes lembram a minha e me faz sentir como se meu problema fosse um grãozinho”, contou.

Michelle e a Maria Luísa, que faleceu em 2009(Foto: Michelle Ribeiro/Arquivo pessoal)
Michelle foi mãe solteira aos 23 anos e Maria Luísa nasceu em 2007. Em maio de 2009, uma semana após o Dia das Mães daquele ano, a menina foi internada com suspeita de infecção de urina e faleceu na madrugada do dia seguinte por choque anafilático e causas desconhecidas.

“Naquele momento, perdi meu rumo, meu chão e minha vida. Minha filha era tudo pra mim! Tínhamos uma ligação enorme e tudo que eu fazia era em função dela”, contou.

Durante cinco anos Michelle enfrentou problemas emocionais e venceu uma paralisia facial. “Pedia a Deus que me desse mais um pouquinho de força e me iluminasse para que eu encontrasse algo que pudesse passar todo esse amor e que suprisse a falta que sentia da minha filha”, relembrou.

Em 2014, Michelle viu fotos na rede social de um amigo que trabalhava em uma ONG de palhaços humanizadores e recordou de uma vez que estava com a filha em uma consulta e recebeu a visita dos palhaços do Prohumanos. Meses depois ela decidiu fazer o curso preparatório.

Carta que Michelle escreveu à filha em 2010(Foto: Michelle Ribeiro/Arquivo pessoal)
Michelle é voluntária há dois anos. “Tenho apreendido que é preciso muita coragem para se adaptar à distância física e voltar um filho para dentro de si.

Sei que todo sábado alguma criança ou mãe espera minha visita e me doo ao máximo. Sei que minha filha está ali comigo”, contou.

A mãe ainda guarda todas as lembranças da filha, desde o exame de gravidez e folhetos do pré-natal até os convites do chá de bebê e aniversário de um ano. Na última página do álbum de fotos de Maria Luísa, Michelle escreveu uma carta de despedida, relembrando momentos e sentimentos da filha.

“Eu nem sempre fazia as vontade dela, pensava muito no amanhã e um dia não houve mais o amanhã. Mas posso dizer que fomos imensamente felizes”, destacou.

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