Parte de danceteria desabou em fachada de lanchonete (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)
As causas e as consequências do desabamento parcial de um imóvel causam divergências entre a Prefeitura e a família proprietária em Carandaí, no Campo das Vertentes. Nessa segunda-feira (2), a fachada de uma danceteria desabou e atingiu uma lanchonete na Rua Maria de Melo Baeta, no Bairro Garças, local conhecido como “Calçadão”. Ninguém ficou ferido.

Os Bombeiros de Conselheiro Lafaiete informaram que subiu para nove o número de imóveis interditados por questões de segurança na área.
Em nota, a Prefeitura alega que o imóvel já tinha a estrutura comprometida antes de iniciar a obra na rede pluvial da rua.

A construção estava interditada desde a última sexta-feira (29) após a engenharia municipal constatar movimento no piso e rachaduras no prédio. A Prefeitura determinou a imediata demolição do imóvel para a liberação da área e dos demais imóveis interditados.

Ao G1, o engenheiro civil e vereador Pedro Marconi se manifestou em nome da irmã, que é a proprietária do imóvel que desabou. Ele disse que a família tem documentação que comprova que a estrutura só foi comprometida após o início das obras na rede pluvial e que as rachaduras apareceram no dia 29 após a perfuração de um buraco em frente ao prédio que afetou a rede da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

Segundo ele, as providências iniciais estão em andamento nesta terça (3) para garantir a segurança e a posterior liberação na área.
De acordo com os Bombeiros de Conselheiro Lafaiete, além do prédio que desabou parcialmente, outros três imóveis foram interditados no dia 29 de abril após surgirem “rachaduras provenientes de um estouro da canalização de água”.

Nessa tarde de segunda, mais cinco estabelecimentos comerciais vizinhos à área afetada foram interditados como uma medida preventiva, diante do risco de novos desabamentos.
O G1 solicitou informações à assessoria da Copasa sobre registro de ocorrência na rua onde ocorre a obra da Prefeitura e aguarda retorno.

A assessoria da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) informou que 16 consumidores ainda estão sem luz e equipes da companhia avaliam os prejuízos no local. Obras em sistema pluvial podem ser uma das causasdo desabamento, dizem Bombeiros(Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)Possíveis causasO comandante do Corpo de Bombeiros de Conselheiro Lafaiete, Capitão Ronaldo Rosa Lima, disse ao G1, na segunda, que as quatro edificações apresentavam rachaduras e foram interditadas preventivamente devido a riscos de desabamento.

“Após denúncias, nós visitamos os imóveis no local conhecido como Calçadão e averiguamos que havia risco de desabarem. A suspeita é que uma das causas do desabamento sejam as obras no sistema pluvial que a Prefeitura está realizando na área.

O local segue interditado, pois há riscos de o resto da estrutura desabar”, explicou o comandante.
A nota enviada pela Cemig, nesta terça-feira (3), destacou que a Prefeitura de Carandaí está efetuando canalização de córrego no Calçadão “e provocou abalo de solo em área construída, causando desabamento parcial”.

De acordo com a assessoria, o local está sob monitoramento. Na tarde de segunda, foram retirados dois vãos de cabeamento para eliminar risco de choque elétrico e interligados transformadores em dois pontos para atender aos clientes próximos.

O texto destacou ainda que não existe acesso para a entrada de caminhões e a retirada do poste que está na área afetada por causa de uma barreira física no local da obra e a restrição da entrada de pessoas pelo Corpo de Bombeiros.
A Prefeitura ressaltou que o desabamento não tem relação com a obra feita na rua, que terá prosseguimento após a demolição do imóvel e a retirada do entulho.

Em nota, informou que uma análise preliminar aponta falhas na construção do prédio e que o laudo definitivo ainda não foi concluído. A administração municipal garantiu que tem a documentação exigida legalmente e estudos técnicos e vistorias técnicas relativas à obra de construção de galerias de drenagem e ressaltou que não há qualquer falha na execução do projeto, ação ou omissão.

No entanto, o irmão da proprietária do imóvel, Pedro Marconi, contestou essas alegações. “O prédio já existe há oito anos e estava desocupado há pelo menos seis meses.

Temos laudos, fotos e documentos que apontam que nada comprometia a estrutura antes da obra. A valeta para passar a galeria tem seis metros de largura e quatro de profundidade, e está a 1,5 metro da construção.

Nossa suspeita é que uma falta de sustentação adequada tenha causado o estouro na rede da Copasa na sexta-feira e, como consequência, influído no desabamento da fachada”, analisou.
Segundo ele, neste momento, a prioridade é garantir a segurança da área e liberar os demais imóveis.

“O prédio possui três telhados. Estamos retirando o primeiro deles, que é a parte que está comprometendo a segurança dos comerciantes, para que os imóveis vizinhos sejam liberados.

Os demais não geram riscos. Em seguida, vamos reunir materiais, laudos e informações e acionar a Justiça em busca das causas e dos responsáveis pelo que ocorreu”, disse Pedro.

Danceteria funcionva no imóvel que desabou parcialmente (Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação)
.