Bebedouro com água amarela em escola pública de São Raimundo Nonato (Foto: Reprodução/Facebook)
Uma foto postada nas redes sociais tem causado indignação na cidade de São Raimundo Nonato, a 530 km de Teresina. Na postagem, a professora Andreia Alves, presidente do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserm), denuncia que alunos e servidores da escola Josélia de Castro Paixão, localizada no assentamento Novo Zabelê, a 12 km da zona urbana, estão consumindo água suja e de má qualidade.
Um bebedouro com a água contaminada está logo abaixo de um quadro fixado na escola com a foto do prefeito da cidade, Avelar Ferreira (PSD).

Ao G1, a professora reafirmou a situação e disse que a água amarela é fornecida não apenas na escola, mas também para a população de São Raimundo Nonato. Segundo ela, já existe inclusive uma denúncia no Ministério Público Estadual sobre a péssima qualidade da água que é distribuída.

Sindicato diz que água de péssima qualidade éfornecida nas escolas(Foto: Reprodução/Facebook)
“A foto foi tirada por um servidor da escola e enviada para o sindicato. Infelizmente não é apenas na escola, mas em toda a cidade essa água é distribuída.

Resolvi divulgar nas redes sociais porque essa foto deixou muita gente bastante indignada. É uma água que não tem nenhuma qualidade e isso causou indignação”, falou.

A escola municipal Josélia de Castro Paixão possui mais de 100 alunos distribuídos em turmas do ensino fundamental. A professora conta que o bebedouro flagrado na foto fica em uma sala usada pelos servidores da unidade.

No entanto, ela assegura que os estudantes também consomem água em mesmo estado.
“Nesse bebedouro da foto dá claramente para ver a água suja porque ele é transparente.

Os bebedouros utilizados pelos alunos são de outro modelo e não dá para ver a água que está lá dentro, mas também é na mesma situação. Essa água vem de poços tubulares localizados na Serra Branca”, contou.

O G1 não conseguiu falar com o prefeito Avelar Ferreira para ele comentar o assunto. Já a secretária municipal de Educação, Rosa Amélia Ferreira, contestou a situação denunciada pelo Sindicato dos Servidores e classificou o ato da presidente como de “má fé” e com o objetivo de macular a imagem da gestão municipal.

Segundo a secretária, aquela água não é servida a nenhum estudante e nenhum servidor nas escolas de São Raimundo Nonato.
“Aquele bebedouro não foi usado este ano porque apresentava problemas e foi trocado desde março.

Os bebedouros dos alunos das nossas escolas são industriais, daqueles que a água já sai filtrada e gelada. Lá é uma escola que tem o conselho autônomo e inclusive o bebedouro atual foi comprado com recursos próprios da escola”, disse a secretária.

Rosa Amélia explicou ainda que parte da água fornecida nas escolas de São Raimundo é colocada nos reservatórios das escolas através carros-pipa e outra vem dos poços situados na localidade Serra Branca. Ela sustentou que todo o líquido recebe o devido tratamento e que algumas escolas até compram água mineral.

Problema antigoA cidade de São Raimundo Nonato, conhecida internacionalmente pelo Parque Nacional da Serra da Capivara, enfrenta problemas constantes com o abastecimento. Os moradores reclamam da qualidade ruim da água da barragem Petrônio Portela, um dos mananciais que abastecem a cidade.

Além disso, também são comuns as reclamações por conta da água trazida dos poços localizados na Serra Branca. Moradores são abastecidos com água de cor laranja (Foto: Nayana Oliveira/ Arquivo Pessoal)
Em 2015, o G1 mostrou a reclamação dos moradores que estavam recebendo água na cor laranja e com mau cheiro.

Alguns estavam sendo obrigados a comprar água devido a péssima qualidade do líquido distribuído para a população. Na época, a Agespisa informou que iria enviar uma equipe de técnicos à cidade para verificar a situação e tomar as providências.

Meses depois, os moradores voltam a reclamar da má qualidade da água e até mesmo da falta de abastecimento. Segundo o técnico em enfermagem Jussival Júnior, o fornecimento de água na casa dele, localizada no bairro Santa Luzia, está comprometido há mais de 30 dias.

Ele afirma que o problema também está ocorrendo em outras áreas da cidade
“Está faltando no bairro Santa Luzia, no conjunto habitacional Sol Nascente, nas imediações dos monumentos do Tatu e da Seriema e no bairro Baixão dos Diógenes. A Gerência Regional da Agespisa não dá nenhuma satisfação para a população.

Eu mesmo já fui várias vezes lá e não tenho respostas”, falou.
Procurada pela reportagem para comentar a situação e falar quais providências serão tomadas em São Raimundo Nonato, a Agespisa informou que se pronunciaria por meio de uma nota, mas até a publicação da matéria a resposta não havia sido enviada.

 
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