Insetos foram um dos temas trabalhados no”Saberes d’Avó” (Foto: Laiza Ribeiro/ Divulgação)
Um trabalho expandiu os limites das salas da Universidade Federal de São João del Rei ao usar a tecnologia para o intercâmbio de experiência entre diferentes gerações. Através do projeto gratuito “Saberes d’Avó”, adolescentes e jovens aprendem a criar um aplicativo do tipo “quiz” que disponibiliza como conteúdo as experiências de vida de pessoas mais velhas.
Após edições presenciais em escolas de Dores de Campos e de Prados, no Campo das Vertentes, está em andamento neste mês de abril um minicurso online para 29 participantes entre 12 e 18 anos de 16 cidades de Minas Gerais, Mato Grosso e Sergipe.

Segundo uma das idealizadoras, a aluna de Ciência da Computação Laíza Ribeiro Silva, é uma forma de dar um sentido mais profundo e ainda não explorado ao aprendizado da linguagem de programação.
“Junto com meu orientador, o professor Dárlinton Carvalho, não encontramos artigos científicos que explorassem o ensino de programação aliado ao estreitamento dos laços entre as gerações.

Nossa abordagem possui um viés inovador, adentrando no caráter emocional contido na experiência dos idosos e transformando-as de maneira a contribuir para o aprendizado dos jovens a respeito de novas práticas. A cada passo que damos aumenta cada vez mais a vontade de levar nosso projeto para todas as pessoas interessadas”, disse.

Por meio do exercício de desenvolvimento do aplicativo, promove-se o aprendizado sobre programação e sobre as experiências compartilhadas pelos idosos, que até então os alunos desconheciam, contribuindo assim para expandir seus conhecimentos culturais. E os aplicativos se tornam instrumentos educacionais para gerações mais novas”
Laíza Ribeiro
No entanto, a tecnologia não adianta se não tiver conteúdo.

Em todas as etapas, os participantes foram incentivados a buscar experiências de vida de idosos para a criação do material que será disponibilizado no “Saberes d’Avó”. Laíza Ribeiro Silva destacou a importância de promover o compartilhamento de conhecimentos entre diferentes gerações.

“Logo, neste projeto enfatizamos a importância da contribuição dos idosos para que os participantes do projeto alcancem novos aprendizados. Os idosos do nosso país têm muito a contribuir com suas experiências de vida, que podem resultar em aplicativos do tipo perguntas e respostas.

Por meio do exercício de desenvolvimento do aplicativo, promove-se o aprendizado sobre programação e sobre as experiências compartilhadas pelos idosos, que até então os alunos desconheciam, contribuindo assim para expandir seus conhecimentos culturais. E os aplicativos se tornam instrumentos educacionais para gerações mais novas”, analisou Laíza Ribeiro.

Em 2015, Laíza Ribeiro (de camisa branca, ao Centro) com alunos de escola pública em Prados (MG) , os primeiros a participar do projeto (Foto: Laiza Ribeiro/ Divulgação)
Depois de etapas presenciais em 2015 para 16 alunos na Escola Estadual Dr. Viviano Caldas, em Prados e neste ano para mais 23 estudantes na Escola Estadual Duque de Caxias, em Dores de Campos, no dia 12 começaram as cinco semanas de aulas para os 29 integrantes da primeira turma online do projeto.

Eles já passaram pela primeira tarefa, que revela que criar um aplicativo não é tão complicado como eles poderiam pensar.
“Na primeira semana, a gente ensina a desenvolver uma calculadora simples.

Em poucas horas eles concluem e fazem o download para o celular e instalam o que eles mesmos criaram. É muito bacana ver a reação deles ao ver como é simples uma tarefa que até então eles achavam complexa.

Isso ajuda a acelerar esse processo de desmistificação em relação a linguagem de programação e não causar desmotivação nos alunos, porque levamos cinco semanas de curso para ver o aplicativo concluído”, explicou. Comidas regionais se tornaram tema de “quiz”(Foto: Laiza Ribeiro/ Divulgação)
Em seguida, os integrantes partem para a pesquisa, entrevistando idosos sobre a experiência de vida.

Os resultados desta fase determinam os temas que serão explorados nos aplicativos.
“Alguns exemplos são conhecimentos sobre plantas medicinais, lendas regionais, comidas regionais, entre outros.

Os participantes irão coletar dados dos avós ou idosos e a partir deles criam 10 perguntas de múltipla escolha, que serão usadas no desenvolvimento do aplicativo do tipo ‘quiz’ no restante do minicurso”, esclareceu.
Até agora, Laiza Ribeiro Silva considera satisfatórios os resultados alcançados e as repercussões entre os participantes das etapas já realizadas.

“Nossa expectativa é que os jovens se interessem pela programação, tornando-se produtores de tecnologia e não apenas consumidores. Como programação é algo visto como um ‘bicho de sete cabeças’ por pessoas que nunca tiveram algum contato com ela, é muito gratificante ver no final os alunos ressaltarem que não é tão difícil como imaginavam.

Além disso, eles disseram ter interesse em aplicar o que foi aprendido nas disciplinas da escola o qual estão matriculados e também demonstram interesse em desenvolver seus próprios aplicativos”, comentou.
O orientador de Laiza no projeto, professor Dárlinton Carvalho, destacou como o “Saberes d’Avó” se torna uma iniciativa a favor da inclusão digital, uso positivo da tecnologia e inspirar outros olhares dos estudiosos e pesquisadores para atender necessidades da sociedade.

A interação direta com problemas reais enriquece o debate em sala de aula aguçando o debate crítico e propondo soluções assertivas para a construção de uma sociedade melhor, sem deixar se perder as experiências de vida daqueles que ajudaram a construí-la”
professor Dárlinton Carvalho
“Precisamos integrar nesta nova sociedade os imigrantes digitais, as pessoas acima dos 30 anos e treinar os jovens para manipular a tecnologia em seu favor, de modo que sejam criadores de soluções. A interação direta com problemas reais, não considerando apenas os problemas teóricos e bem-comportados dos livros, enriquece o debate em sala de aula aguçando o debate crítico e propondo soluções assertivas para a construção de uma sociedade melhor, sem deixar de perder as experiências de vida daqueles que ajudaram a construí-la”, destacou.

A próxima turma online do projeto está prevista para o segundo semestre, com o diferencial de que será aberta para alunos de todas as idades. Outras informações estão disponíveis no perfil em uma rede social.

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