Técnica de anestesia desenvolvida durante o projeto de reprodução de antas evita que animal se machuque (Foto: Itaipu Binacional / Divulgação)
O Refúgio Biológico de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, está participando desde 2014 de um estudo inédito sobre a reprodução artificial das antas brasileiras. O animal da espécie Tapirus terrestris, é tipicamente brasileiro e bastante comum na época da colonização da região. Atualmente, porém, devido à preferência de caçadores, é ameaçada de extinção.

Para reverter esta situação, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), da Itaipu, do Instituto Brasileiro para Medicina da Conservação e do Smithsonian Conservation Biology Institute, dos Estados Unidos, coletaram sêmen dos animais e o estão armazenando em galões de nitrogênio a quase -200 Cº.
O trabalho agora será o de analisar como o material será descongelado, passo essencial para o avanço da reprodução artificial, evitando, entre outros, que o animal precise ser encaminhado para outro zoológico já que apenas o material genético viaja.

“Esse trabalho é muito importante. Você coleta o material genético, congela, e em 50 ou cem anos pode usar o sêmen.

Eu chamo isso de uma apólice de seguro [para a espécie]”, define o pesquisador indiano Budhan Pukazhenthi.
O Refúgio Biológico já mantém um programa de reprodução em cativeiro de espécies da região, porém pelo método natural.

Em 2011, uma fêmea anta teve filhotes gêmeos, caso raro em todo o mundo.
A nova experiência feita no começo de abril vai servir de referência para criadouros do Brasil e em outras partes do mundo.

Ao menos um dos experimentos envolvendo a anestesia dos animais já deu bons resultados.
“Quando a anestesia não é feita de forma correta, o animal fica se debatendo, se machuca.

Mas, com o protocolo que fizemos, ele dorme rapidamente, sem se machucar. Terminado o trabalho, aplica-se o reversor e ele levanta como se não tivesse acontecido nada”, explica o veterinário Zalmir Cubas.

Segundo o coordenador do projeto, professor Nei Moreira, nos dois anos de pesquisa foi possível verificar que a fisiologia reprodutiva da anta é muito semelhante à dos cavalos. “O equino é o parente doméstico mais próximo da anta, do ponto de vista filogenético (relativo à evolução da espécie).

E a gente está vendo que isso se repete com relação às características do sêmen, as características andrológicas”, relatou.
O próximo passo do projeto, acrescenta, será trabalhar com fêmeas e avançar para técnicas de reprodução mais sofisticadas, como a inseminação artificial e a fertilização in vitro.

“Primeiro queremos conhecer a fisiologia reprodutiva básica do animal e também algumas biotécnicas, como o melhor protocolo para congelamento de sêmen. Depois, vamos partir para a reprodução artificial.


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