Medidas iniciais de segurança da nova gestão foram anunicadas em entrevista coletiva(Foto: Roberta Oliveira/G1)
Melhorar a infraestrutura e desenvolver políticas de identificação, apoio e prevenção aos casos de violência, sem fechar o acesso ao campus à comunidade e na dependência de um orçamento limitado. Junto com a implantação da ouvidoria e do Fórum de Segurança estas são as metas apresentadas pelo reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcus David, em entrevista coletiva do fim da manha desta terça-feira (11). Segundo ele, as medidas são iniciais na questão da segurança relativa aos campi em Juiz de Fora e Governador Valadares, além das demais instituições vinculadas à UFJF.

“A universidade não vai ser insensível aos temas de segurança e ela terá uma prioridade mesmo no cenário de crise nacional. O nosso desafio vai ser fazer muito mais com os recursos que nós temos.

É uma situação muito difícil, bastante complicada. A nossa proposta é fazer uma discussão desta crise, deste orçamento com a universidade.

E de uma forma participativa decidir as prioridades”, disse o reitor Marcus David.
Ainda segundo o reitor, o diagnóstico do orçamento da instituição e da situação das obras em andamento será apresentado ainda nesta semana pela administração superior.

Caixa eletrônico arrombado em fevereiro(Foto: Ramon Chaia/G1)Infraestrutura e melhoria de gestãoNeste ano, o G1 noticiou quatro ocorrências policiais no campus em Juiz de Fora. Desde o arrombamento de um caixa eletrônico aos roubos a mão armada de um segurança e a uma jovem que teve a mochila levada ao passar perto do escadão que leva ao bairro Dom Bosco.

 
Também houve a agressão sofrida por uma professora na Faculdade de Engenharia durante uma tentativa de roubo. A UFJF não informou dados de registro de casos, mas alegou que as medidas anunciadas nesta terça-feira são a primeira resposta da atual gestão, que completou um mês à frente da instituição.

De acordo com o reitor, na escada de acesso ao Bairro Dom Bosco foram instalados postes e refletores e estão em andamento a limpeza e a capina. A pista de skate na Praça Cívica também teve as lâmpadas substituídas.

Ainda é realizado um levantamento de outras demandas, como a do escadão proximo à entrada do São Pedro. Além disso, em vários pontos do campus houve a ativação do sistema de câmeras que já está instalado.

“É fundamental você ter iluminação no campus. A gente estava com muitos problemas de manutenção.

Outro ponto é potencializar o uso do sistema de monitoramento, que já esta em andamento, com algumas câmeras já capturando imagens”, explicou Marcus David. Escadão que liga Campus da UFJF ao Bairro Dom Bosco recebeu melhorias na iluminação e limpeza (Foto: Roberta Oliveira/G1)
Dentro deste contexto está a melhoria da distribuição dos vigilantes.

Por questões de segurança, a instituição não divulgou o número total do quadro de funcionários – entre funcionários da UFJF e terceirizados, mas garantiu que é satisfatório diante das atuais demandas. Atualmente, segundo a Direção de Segurança, os vigilantes que ficam na guarita estão armados.

O reitor também conta com o apoio das decisões do Fórum de Segurança para a organização mais produtiva dos profissionais.
“Nós entendemos que o dimensionamento do quadro cumpre a necessidade fundamental.

Estamos trabalhando a melhoria da gestão desta força de trabalho. Sabemos que a universidade está em ampliação, o que gera necessidade de novos vigilantes.

Eis onde entra o trabalho do Fórum de Segurança, que vai nos ajudar a estabelecer as estratégias de onde colocar a segurança armada, o vigia, ou onde priorizar a vigilância humana e a eletrônica”, comentou. Implantação do monitoramento por câmeras é umadas metas, diz reitor (Foto: Roberta Oliveira/G1)
O reitor reforçou a importância de manter uma parceria com a Polícia Militar (PM), no entanto, a responsabilidade da segurança nos campi permanece como responsabilidade da UFJF.

“A universidade continua fazendo a segurança interna através da sua estrutura de vigilância. A nossa parceria com a PM é para intensificar esta relação, principalmente no que diz respeito ao aspecto de trânsito e a casos específicos”, acrescentou.

O reitor lembrou que a criação da ouvidoria especializada será apresentada ao Conselho Superior (Consu) na reunião deste mês de maio. Enquanto isso, o grupo integrante do Fórum de Segurança, já aprovado pelo Consu será implantado e constituído pela administração superior para iniciar as atividades.

“É um modelo de gestão participativa que a comunidade universitária pode falar da concepção das políticas de segurança. A ouvidoria especializada vem para ajudar a encarar o problema da violência sofrida por públicos específicos e que não conseguiam denunciar e cria o canal para que estes problemas possam ser acolhidos e a universidade o enfrente”, ressaltou Marcus David.

Portas abertasTudo isso será feito considerando a prioridade de não restringir o acesso ao campus, uma das prioridades apontadas pelo reitor. “Queremos a aproximação com a comunidade do nosso entorno, despertar nestas pessoas o desejo de vir para a universidade, além de criar ao mesmo tempo a oportunidade de formação para os nossos estudantes que poderão trabalhar.

O desafio é garantir a segurança de uma universidade aberta, não de uma universidade fechada”, ressaltou.
A pró-reitora de Extensão, Ana Lívia Coimbra, disse que editais que incentivem professores e servidores técnico-administrativos a apresentarem propostas que envolvam a comunidade estão em elaboração e que alguns projetos já existentes serão ampliados.

“Vamos rearticular e ampliar o ‘Boa Vizinhança’, que existe desde 2003. A vizinhança compreendida como segmentos que se articulam e quem podem conviver em uma universidade aberta, plural, solidária.

Aqui não há concepção de que o entorno é uma ameaça, ele convive com a universidade e as relações precisam ser ressignificadas por meio dos projetos de extensão. Queremos a articulação de projetos das mais diferentes áreas – saúde, educação, cultura, arte para que o entorno e a cidade tenham acesso àquilo que a universidade produz”, afirmou.

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