O desamento deixou duas pessoas mortas e outras três feridas (Foto: Lena Sena/G1)
A Polícia Civil do Ceará indiciou um engenheiro de produção e um técnico de edificações pelo desabamento de parte da estrutura da obra da ponte sobre o cruzamento das avenidas Raul Barbosa e Murilo Borges, que matou dois operários e deixou outros três feridos, no dia 22 de fevereiro, em Fortaleza.
Os profissionais são da SH Formas Andaimes e Escoramentos LTDA, empresa responsável pelo escoramento e produção da obra, que já havia sido notificada pelo acidente. Procurada pelo G1, a empresa afirmou que se pronunciará oficialmente somente perante à Justiça.

O inquérito foi concluído pelo titular do 4º Distrito Policial, delegado Munguba Neto após 60 dias de investigação. Conforme o delegado, o engenheiro de produção Sirlei Durais de Oliveira, 32, foi indiciado pelos crimes de desabamento qualificado e exercício ilegal da profissão, com base nos artigos 256 e 258 do Código Penal e 47 da Lei de Contravenção Penal, respectivamente.

Já o técnico de edificações João Luiz Nogueira, 41, foi enquadrado nos artigos 256 e 258, pelo crime de desabamento qualificado com mortes.
O delegado Munguba Neto ressaltou que o Sirlei Durais não possuía autorização para assinar o projeto.

“Ele alegou que poderia exercer a função de engenheiro civil, e, deste modo, assinar o projeto. No entanto, o próprio Crea informou em seu laudo que o engenheiro de produção não pode assinar esse tipo de obra, por isso ele foi enquadrado por exercício ilegal da profisão”, explicou Munguba Neto.

O delegado Munguba Neto informou que as penas podem chegar até cinco anos de prisão. No entanto, os profissionais devem responder em liberdade, tendo em vista que não tiveram a intenção de cometer o acidente (crime culposo).

O inquérito, com mais de 1. 100 folhas, será encaminhado na segunda-feira (25) à Justiça, para que seja examinado pelo Ministério Público.

Problemas técnicosPeça com qualidade questionável que cedeu ocasionando o desabamento de parte da estrura da ponte na Avenida Raul Barbosa. (Foto: Lena Sena/ Do G1 CE)
Para concluir o inquérito, a Polícia Civil ouviu pelo menos 20 pessoas e analisou quatro laudos técnicos, emitidos pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE), pela Prefeitura de Fortaleza, Universidade Federal do Ceará (UFC) e por peritos criminais da Perícia Forense do Ceará (Pefoce).

Os laudos apontaram que o desabamento foi provocado por falhas na montagem da estrutura, falha nos projetos e uso de peça com ‘qualidade questionável’. Entre os itens apontados relativos às falhas na orientação da montagem, a Pefoce citou permissão para montagem da estrutura de escoramento, com peça de qualidade questionável; não houve correção das falhas de montagem; liberação do procedimento de concretagem da viga longarina, mesmo com a estrutura de escoramento apresentando falhas de montagem.

Desabamento da obra do viaduto no cruzamentodas Avenidas Raul Barbosa com Murilo Borges,em Fortaleza (Foto: Lena Sena/G1 CE)
O delegado Munguba Neto afirmou que estes problemas deveriam ser vistos pelo engenheiro Sirlei Durais e pelo técnico de edificações João Luiz Nogueira. “As peças deveriam ser vistoriadas pelos dois antes de serem colocadas no local.

O técnico estava ali para acompanhar de perto a construção e dizer se a obra poderia ou não continuar, o que não aconteceu”, ressaltou o titular do 4º DP. DesabamentoO desabamento ocorreu em 22 de fevereiro, deixando dois operários mortos e sete feridos.

O acidente aconteceu na duplicação da Ponte do Lagamar. A obra contemplava a construção de dois viadutos por cima de uma rotatória no cruzamento das avenidas Murilo Borges e Raul Barbosa.

Um laudo divulgado em 12 de abril apontou falhas na montagem da estrutura, falhas nos projetos e uso de peça com “qualidade questionável” estão entre as causas para o desabamento da ponte.
O laudo foi elaborado por quatro peritos.

Dois deles assinaram o resultado. O laudo será encaminhado para o delegado Silas Munguba, do 4° Distrito Policial (DP).

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