O empresário Ronan Maria Pinto, preso na 27ª fase da Operação Lava Jato, em abril deste ano, passa a ser réu e responder à uma ação penal da Justiça Federal. O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava Jato na primeira instância, aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra ele nesta quinta-feira (12). Além de Ronan, outras oito pessoas também viram réus, entre elas o ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) Delúbio Soares e o publicitário Marcos Valério que já compre pena no Mensalão.

Todos responderão por lavagem de dinheiro, conforme indicado pelo MPF. “Presentes indícios suficientes de autoria e materialidade, recebo a denúncia contra os acusados”, diz Sérgio Moro no despacho.

Confira a lista dos réus:Ronan Maria Pinto – empresário dono do jornal Diário do Grande ABCSandro Tordin – ex-presidente do Banco SchahinMarcos Valério Fernandes de Souza – publicitário que cumpre pena na Ação Penal 470, conhecida como mensalãoEnivaldo Quadrado – empresário condenado na Ação Penal 470, conhecida como mensalãoLuiz Carlos Casante – empresárioBreno Altmann – jornalista ligado ao PTNatalino Bertin – empresárioOswaldo Rodrigues Vieira Filho – empresário dono da RemarDelúbio Soares de Castro – ex-tesoureiro do PTInvestigaçãoRonan Pinto é investigado pelo recebimento de R$ 6 milhões do empréstimo realizado entre o pecuarista José Carlos Bumlai – também preso pela Lava Jato – e o Banco Schahin, que acabou sendo fraudado.
A denúncia envolvendo o empresário também atinge o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e mais sete pessoas.

Os procuradores do MPF pedem que o grupo repare o erário em R$ 6 milhões.
De acordo com o Ministério Público Federal, o empréstimo foi pago por meio da contratação do Grupo Schahin como operador do navio-sonda Vitória 10.

000, pela Petrobras, em 2009, ao custo de US$ 1,6 bilhão. Ainda conforme as investigações, em depoimento ao Ministério Público Federal, Marcos Valério, operador do mensalão, afirmou que parte do empréstimo obtido por Bumlai era destinado Ronan Maria Pinto, que extorquia dirigentes do PT.

O MPF afirma não ter provas, até o momento, que expliquem os motivos da extorsão. O dinheiro, segundo o procurador Diogo Castro de Mattos, seria para comprar ações do jornal “Diário do Grande ABC”.

Mattos diz que o objetivo de comprar ações era, segundo Marcos Valério, porque o jornal estava ligando Ronan Maria Pinto a denúncias da morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel.
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