Thais Kirchmeyer David (dir) com Matteo no colo, com as filhas Bárbara (de azul) e Lavínia (centro) e Gabriela com o filho Franz (esq) (Foto: Thais Kirchmeyer David/Arquivo Pessoal )
Não há idade certa para ser mãe. Foi o que a vida ensinou à Thaís Kirchmeyer David, de 44 anos. Neste domingo, ao lado de Gabriela, 22, Bárbara, 16, Lavínia, 5 e Matteo, 2 anos, a advogada de Juiz de Fora irá celebrar a jornada da maternidade, seja na juventude ou na maturidade.

Uma história que guarda a lembrança da filha Julieta, que teria agora 3 anos, e abriu os próximos capítulos com a energia do neto Franz, de 1 ano e meio.  “Quem tem vontade de ser mãe não tem que se preocupar com idade.

Você se se reinventa de alguma forma. Eles se adaptam ao que você tem a oferecer.

Com certeza você dará conta. Eu vivi em momentos diferentes e se fosse possível, teria mais filhos”, comentou.

Todos os filhos nasceram de parto natural. E agora, para ficar com os filhos e o neto, Thaís abriu mão da carreira de advogada.

Algo que ela não imaginava que faria quando tudo começou. Ela tinha 22 anos e terminando a universidade quando Gabriela nasceu.

Seis anos depois, veio Bárbara e a certeza de que a família estava completa e que ela poderia advogar. “No início, conciliei trabalho e maternidade.

Foi superdifícil. Depois quando elas ficaram maiores e mais independentes, me dedicava ao trabalho, ficava no escritório das 7h às 19h, que também foi um pouco casa das meninas, que saíam da escola, iam para lá.

Até então, para mim estava encerrado, tive duas filhas e ponto final”, lembrou. Começar de novoNo entanto, ela se divorciou do primeiro marido.

A vida seguiu, Thaís Kirchmeyer David se casou pela segunda vez e se viu diante de um inesperado desejo de aumentar a família, já perto dos 40 anos.
“Meu marido ainda não tinha filhos.

Falamos sobre a questão e eu pensava que estava trabalhando, era um momento de me dedicar mais à profissão, tinha duas filhas, uma quase na Faculdade e a outra no ensino médio. Então, quando aconteceu, modificou minha vida totalmente, de novo”, comentou.

Lavínia nasceu quando Thaís estava com 39 anos. Segundo ela, algo que era visto como tabu antes, agora se tornou mais comum.

“A gente vê várias mulheres que optaram por ter filhos mais tarde. Tenho amigas que se tornaram mães perto dos 40, por causa da profissão que escolheram ou porque buscavam um relacionamento que levasse à formação de uma família.

Então, idade não era problema”, lembrou. Thaís Kirchmeyer David e a filha Julieta(Foto: Thaís Kirchmeyer David/Arquivo Pessoal)“Queria ela aqui comigo”Dois anos depois, Thaís passou por aquilo que nenhuma mãe espera viver, o nascimento e a perda de uma filha, Julieta.

“Eu tinha cinco meses de gravidez, quando descobrimos um problema no desenvolvimento dela. Vários médicos disseram que era a minha idade ou até algo que comi ou deixei de comer.

Demorou até a gente ter o diagnóstico de que eu e meu marido temos 25% de chances de ter uma criança com uma síndrome genética rara, uma probabilidade de 1 em 200 mil. Algo que poderia ocorrer com qualquer casal”, disse.

Julieta viveu 41 dias e a perda acabou sendo por motivo diferente da síndrome. “Só que Julieta não morreu por causa da síndrome, morreu por um erro médico, na colocação de um cateter no hospital.

Eu sei o que é sofrer. Mas você aceita.

Quando ela nasceu, tão linda, com aqueles cabelos muito vermelhos, não importavam a síndrome ou os problemas físicos. O amor é tão grande que você quer a criança como ela for.

Já me disseram que é egoísmo, mas eu queria ela aqui comigo”, contou. Filho e netoEla impediu que o marido fizesse vasectomia.

Um ano depois, ela foi surpreendida e presenteada com uma nova gestação, mesmo ciente dos 25% de chances de ter outro bebê com a mesma síndrome de Julieta.
Queria outro filho.

Não para substituir Julieta, porque cada um é único. Mas é como se tivessem arrancado a minha filha de mim e eu precisava de um bebê nos meus braços”
Thaís Kirchmeyer David
“Queria outro filho.

Não para substituir Julieta, porque cada um é único. Mas é como se tivessem arrancado a minha filha de mim e eu precisava de um bebê nos meus braços.

Assim como sonhei que teria a Julieta, também sonhei com o Matteo. Era para ele ser nosso filho.

Corremos o risco. Optei pela maternidade e ele veio, como um presente”, disse.

E durante a quinta gestação, outra surpresa para Thaís. Gabriela, a filha mais velha, também engravidou.

Cinco meses depois da chegada de Matteo, ela deu boas-vindas ao primeiro neto, Franz. Como toda a família mora perto, Thaís se viu mãe, avó e a cuidadora das crianças.

“Apesar de ser um momento onde poderia me dedicar mais à profissão, eu me vi dividida e sentindo que estava sempre em falta ou no trabalho ou em casa. Antes eu tinha uma super energia, agora não é mais assim.

Isso pesou e então tomei a decisão de ficar em casa e cuidar das crianças. Minha filha e o marido estão terminando a faculdade.

Assim, eu olho os meus pequenos e também ajudo com meu neto”, comentou. Thaís e Gabriela compartilhando as experiências de maternidade (Foto: Thaís Kirchmeyer David/Arquivo Pessoal)Experiência e escolhasClaro que a experiência de vida afetou também a forma como Thaís encara a maternidade.

“Se falta uma energia para correr atrás deles, você encontra outras formas de lidar e de tratar. Não sou mais tão brava como era com as mais velhas, já consigo aceitar a bagunça.

Pintei a casa tem 15 dias e já tem parede suja. Se fosse antes, nossa.

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  Mudou a forma de encarar as prioridades para eles. Decisões que usei com a Gabriela e a Bárbara não serão as mesmas para Lavínia e Matteo, incluindo até as escolhas de escola”, analisou.

Outra diferença diz respeito à condução da própria gestação. Thaís faz questão de dizer que todos nasceram de parto normal, sendo que Julieta e Matteo ainda foram naturais, com o mínimo de intervenção possível.

Nem todas as lembranças são boas. Como outras mães, passou pelo que agora é reconhecido como violência obstétrica.

Mas a maior dificuldade era convencer os médicos do seu direito ter o parto normal.
Também houve médicos que queriam me empurrar uma cesariana, especialmente nos partos dos mais novos, por causa da ‘minha idade’.

Só que justamente por isso consegui me impor. Claro que se houvesse a necessidade, não iria arriscar a vida do meu bebê.

Mas não foi o caso e briguei pelo meu direito de escolha”
Thaís Kirchmeyer David
“Também houve médicos que queriam me empurrar uma cesariana, especialmente nos partos dos mais novos, por causa da ‘minha idade’. Só que justamente por causa da idade consegui me impor.

Claro que se houvesse a necessidade, não iria arriscar a vida do meu bebê. Mas não foi o caso e briguei pelo meu direito de escolha.

No último ultrassom do Matteo, deu que ele estava com 3. 900 quilos e ele nasceu com 4.

570 quilos”, explicou.
Depois de cinco gestações, quatro filhos e um neto, não é que, de vez em quando, Thaís se pega querendo mais? “Todo dia penso que não tenho mais idade para isso.

Mas quando o pequeno chega perto dos dois anos, dá vontade de ter filho de novo. Só que agora acabou mesmo, meu marido fez vasectomia”, contou.

Por isso, nesta uma jornada que já foi da dor à alegria e enriquece todo dia diante das descobertas que cada uma das suas crianças – independente da idade – fez e ainda fará pela vida, Thaís é convicta ao recomendar a experiência de ser mãe às mulheres ainda em dúvida.
“Muitas querem mais o filho que um relacionamento e hoje em dia são tantas possibilidades.

Então em algum momento, seja qual for a idade, eu digo que elas tenham coragem, não escutem ninguém que fica colocando empecilho, só o próprio coração”, incentivou. Franz (esq) e Matteo (dir), o neto e o filho de Thais Kirchmeyer David (Foto: Thaís Kirchmeyer David/Arquivo Pessoal)
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