Inquérito policial sobre o confronto entre integrantes do MST e policiais militares em Quedas do Iguaçu (PR) deve ser concluído nesta sexta-feira (15) pela Polícia Civil (Foto: Reprodução / RPC)
O segundo integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ferido no confronto com policiais militares no dia 7 de abril em Quedas do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, deixou o hospital na quinta-feira (14) e foi encaminhado para a carceragem da 15ª Subdivisão da Polícia Civil em Cascavel, no oeste, onde permanece preso nesta sexta (15). Em função do tratamento pelo qual ainda passa, o outro trabalhador sem-terra também preso cumpre prisão domiciliar e é monitorado por uma tornozeleira eletrônica.
De acordo com a delegada responsável pelo caso, Ana Karine Palodetto, ele não será ouvido novamente.

O depoimento colhido ainda no hospital já está incluído do inquérito aberto pela Polícia Civil para apurar como se deu o enfrentamento e que deverá ser concluído até as 18h. O confronto vem sendo investigado ainda pela PM e pela Polícia Federal.

“Apesar de ter sido conduzido dentro da mais absoluta legalidade, o inquérito foi bastante tumultuado. E, mesmo várias vezes sendo chamados a depor, os representantes do MST não compareceram.

Procuramos colher o máximo de elementos possíveis para uma futura ação penal, se necessária, o que ficará a cargo do Ministério Público”, apontou a delegada.
Ainda segundo Ana Karine, o inquérito será encaminhado por meio de um escrivão da Polícia Civil ao promotor Marcelo Salomão Czelusnak, de Quedas do Iguaçu, que terá cinco dias para analisar o que foi apurado até agora.

“Neste prazo ele verá se os elementos são suficientes ou se serão necessárias novas diligências, inclusive uma possível reconstituição do caso. Se sim, o inquérito volta para mim e depois o promotor decide se encaminha denúncia à Justiça”, explicou ao adiantar que não divulgará a conclusão do inquérito.

As versões sobre o ocorrido divergem. O MST afirma que as duas vítimas mortas foram atingidas “pelas costas” e que os sem-terra foram vítimas de uma emboscada feita por policiais militares e por seguranças contratados pela Araupel, empresa de reflorestamento que teve a propriedade invadida em 2014.

Há divergência também entre as declarações dos dois trabalhadores sem-terra feridos.
Já a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp) sustenta que o confronto ocorreu após dois policiais ambientais e um segurança da empresa Araupel seguirem até uma área de mata nativa que foi atingida por um incêndio criminoso.

Na quinta (14), o superintendente do Incra no Paraná, Nilton Bezerra Guedes, viajou para a cidade a fim de entregar ao MST a proposta da beneficiadora com o objetivo de reduzir o conflito agrário na região. Confronto entre MST e polícia deixa mortos eferidos em Quedas do Iguaçu (Foto: Arte / G1)
A tentativa de acordo prevê a permanência dos sem-terra na área desde que os trabalhadores da beneficiadora tenham acesso ao local e às plantações de pinus ao menos até que a Justiça conclua os processos abertos envolvendo as propriedades em disputa entre a Araupel e a União.

ManifestaçõesNesta sexta-feira, manifestantes que protestam contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) e lembram os 20 anos o massacre de Eldorado dos Carajás (PA) demonstram ainda solidariedade às famílias dos dois integrantes do MST mortos no confronto do dia 7 de abril. Várias estradas que cortam o estado foram bloqueadas no início da manhã e cancelas de praças de pedágio liberadas.

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