A Polícia Militar afirmou nesta segunda-feira (11) que, apensar da “aparente calmaria”, o reforço na segurança de Quedas do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, será mantido por tempo indeterminado. Na quinta-feira (7), dois integrantes do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) morreram em um confronto com a polícia.
A área do conflito, na Linha Fazendinha, fica a cerca de dez quilômetros da cidade, próximo ao acampamento Dom Tomás Balduíno.

Na área ocupada há um ano vivem cerca de 930 famílias.
Segundo a PM, equipes da Polícia Ambiental e da Rotam foram recebidas a tiros quando verificava um suposto princípio de incêndio.

Já os integrantes do movimento dizem que foram atacados pelos policiais. Em depoimento tomado ainda no hospital, um dos feridos disse que o primeiro tiro foi disparado para o alto por um dos acampados.

O outro ferido que continua internado em Cascavel deve ser ouvido pela delegada responsável pelo caso, Ana Karine Palodetto, na terça-feira (12). Ela deve ficar em Quedas do Iguaçu até o fim de semana.

Até agora, quatro policiais e três sem-terra já foram interrogados. Ainda para terça está agendada uma reunião em Curitiba com o ouvidor nacional do Ministério do Desenvolvimento Agrário, representantes do Incra, do MST e da Araupel, empresa que teve as terras invadidas na região.

As polícias Civil e Militar investigam o caso para saber o que realmente aconteceu. E, na sexta (8), o ministro da Justiça, Eugênio Aragão, determinou que a Polícia Federal abra inquérito para acompanhar o caso.

Perícias no local do confronto já foram feitas e armas recolhidas no local e as usadas pelos policiais também serão examinadas.
A segurança na cidade precisou ser reforçada logo após o ocorrido para evitar novos conflitos.

No sábado (9), cerca de 1,5 mil pessoas, segundo a polícia, e 5 mil, de acordo com os organizadores, fizeram um protesto no Centro da cidade para lembrar a morte dos trabalhadores sem-terra. Equipes da Rotam, do Bope e do Batalhão de Chope continuam na cidade.

“A necessidade do emprego desta força depende do comando da operação e vai permanecer quanto tempo acharmos necessário. Trabalhamos com informações e estas informações dão conta de que ainda há necessidade de ficarmos aqui”, comentou o comandante regional, tenente-coronel Washington Lee Abe.

Disputas por terraA região vive conflitos agrários há cerca de vinte anos, com disputa de terras entre a madeireira Araupel e a União. A empresa tinha cerca de 80 mil hectares espalhados pelos municípios de Rio Bonito do Iguaçu, Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu e Nova Laranjeiras.

Nas últimas décadas, 49 mil hectares foram destinados a três assentamentos: Ireno Alves, Marcos Freire e Celso Furtado. Atualmente a Araupel tenta a reintegração de posse de outras duas áreas ocupadas pelo MST: os acampamentos Herdeiros da Terra de 1º de Maio e Dom Tomás Balduíno, onde houve o confronto.

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