Envolvido não quis falar com a imprensa e saiu acompanhado do advogado e familiares no Fórum Henoch Reis (Foto: Ive Rylo/ G1 AM)
Na primeira quinzena de junho deve ser divulgada a sentença do réu envolvido em um acidente de trânsito que matou as universitárias Brenda Braga e Raysa Rossi, ambas de 21 anos, em janeiro de 2015. Thiago Fish – que conduzia o veículo no momento do acidente – foi ouvido na manhã desta quinta-feira (12), pela juíza da vara de Trânsito, Luíza Cristina Nascimento da Costa Marques.
A audiência iniciou às 9h e terminou por volta as 11h, no Fórum Henock Reis, no bairro Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus.

  Com esta audiência, foi finalizada a fase de instrução do processual. A partir desta semana, foi aberto o prazo para o envio de memoriais escritos, que são as últimas manifestações que serão apresentadas pelo Ministério Público, representantes de defesa e acusação.

O advogado de defesa de Thiago, Christhian Naranjo, explicou que o rapaz confirmou, em juízo, que não tinha consumido bebidas alcoólicas antes de dirigir. “Ele confirmou nos autos que um pouco antes do acidente, ele esteve hospitalizado e, em razão desta internação, começou a tomar um medicamento muito forte.

E havia orientação que ele não ingerisse bebida alcoólica e, em razão desta doença, ele não estava podendo beber. Ele disse que não ingeriu [bebida alcoólica] e sim energético”, disse.

O condutor também afirmou que não lembrava se as autoridades policiais haviam pedido para ele fazer o exame de alcoolemia após o capotamento. “Ele falou que não recordava se pediram para fazer o bafômetro.

Não negou, falou que não recordava, ele estava tonto. Ele bateu a cabeça e engoliu pedaço de vidro na hora”, afirmou Naranjo.

Universitárias morreram em acidente no dia 3 de janeiro de 2015 (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
Em depoimento o jovem atribuiu o acidente a uma imprudência de outro condutor. “O carro da frente foi fazer uma ultrapassagem, se meteu na contramão.

Mas vinha outro carro em sentido oposto e ele teve que voltar. Nessa hora, ele jogou o carro em cima de todo mundo.

O Thiago para não bater, freou e nessa freada perdeu o controle do carro”, disse o advogado. Após a audiência, Thiago não quis falar com a imprensa e foi embora, acompanhado de familiares e da defesa.

“Temos certeza que o processo foi bem instruído, que todo trabalho foi feito no sentido de mostrar que de fato foi um acidente, que eram todos amigos, que não era a primeira vez que faziam aquele passeio e o Thiago sente muito pelo o que aconteceu”, afirmou Naranjo. Parentes das vítimasO depoimento foi acompanhado por familiares das vítimas, Antônia Braga Batista que é a mãe de Brenda Braga, 21 anos, e Rossineide Brito, mãe da Raysa Rosi, 21 anos.

“Ele falou que era inocente, que não ingeriu bebida alcoólica, que o acidente aconteceu porque um carro freou na frente dele. Que  ele estava em velocidade normal.

E, que em nenhum momento foi pedido para fazer teste do bafômetro, não foi solicitado”, disse Rossineide Brito. Rossineide Brito, mãe de Rayssa Rosi, uma das vítimas do acidente (Foto: Ive Rylo/ G1 AM)
Um ano após o acidente, Rossineide ainda se emociona ao lembrar de como encontrou o corpo da filha, sem vida.

“Estou em pedaços, destruída, por tudo que eu passei. Não é fácil você ver aquele ser que você colocou no mundo, todo machucadinho, quebradinho e sem vida, não é fácil”, afirmou.

Os familiares das vítimas vão aguardar o veredicto para decidir se irão recorrer ou não. “Vamos ver o resultado, e dependendo, vamos recorrer.

Ele alegou que não bebeu, que foi o mais inocente, que as coisas aconteceram e ele não foi capaz de se livrar dos erros outros. Porque foi um carro que freou na frente dele”, disse Antônia Braga Batista.

Relembre o casoO acidente ocorreu no dia 3 de janeiro de 2015, quando o grupo voltava de Presidente Figueiredo, cidade da Região Metropolitana de Manaus (RRM). O carro em que os jovens estavam capotou, e caiu em um barranco.

Na ocasião, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que encontrou recipientes com bebida alcoólica no veículo. Com o acidente, as universitárias Brenda Braga e Raysa Rossi, morreram.

Além das vítimas, Bruna Lorena Passos Saraiva, Camila Mendes Lauria, Leonardo Henriques da Silva Couto, Thiago Fish Pinto e Uatumã Campos Rocha estavam no veículo modelo Pajero Dakar. Thiago Fish foi denunciado pelo Ministério Público pela prática de homicídio culposo na direção de veículo, lesão corporal culposa, condução de veículo com capacidade psicomotora alterada por influência de álcool ou outra substância, e violação da suspensão de dirigir, previstos respectivamente no Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

Conforme o laudo emitido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o carro estava a 140km/h no momento do acidente. No dia 25 de abril, testemunhas do caso foram ouvidas.

Camila não compareceu ao Tribunal de Justiça para depor porque, conforme o órgão informou, a jovem está fora do Brasil. Os policiais rodoviários Ivo Seixas e Júlio da Silva também foram ouvidos pela Vara Especializada em Crimes de Trânsito da Comarca de Manaus.

LaudoO laudo pericial sobre o acidente apontou que o carro trafegava a uma velocidade de quase 140 Km/h e que o excesso de velocidade “foi determinante” para causar o acidente. As informações foram divulgadas pela Polícia Civil 26 de março de 2015.

O condutor do veículo foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.   À época, o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) informou que a carteira de habilitação do motorista estava suspensa por diversas infrações, dentre elas excesso de velocidade e direção perigosa.

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