O perímetro irrigado nas cidades de Guadalupe e Floriano, na região sul do Piauí, é fértil, rico e promissor. No terceiro episódio da série de reportagem que mostra as riquezas do nosso estado, a equipe do Bom Piauí mostrou localidades nestes municípios onde frutas e verduras são produzidas o ano inteiro. Além disso, há água em fartura na região.

Em Guadalupe, por exemplo, há 910 hectares de terras cultiváveis, tudo graças à força da irrigação. O cultivo mudou a vida do pernambucano Erinaldo Luiz da Silva.

Ele é dono de 40 hectares de terra e cultiva duas variedades de banana: a pacovã e a banana prata. “Quando eu cheguei, eu vi que tinha oportunidade de produzir e poder vender com mais facilidade.

A topografia era fácil, tinha muita água e o clima era bom”, disse.
Além disso, o produtor dá oportunidade de trabalho para 14 funcionários, trabalhadores cheios de sonhos.

“Essa plantação representa muita coisa. É resultado do meu emprego.

Graças a Deus estou conseguindo sustentar minha família com dinheiro que ganho aqui e por isso não pretendo sair tão cedo”, comentou Israel Costa, que trabalhar de ajudante na plantação. Diversas variedades de bananas são cultivadas na região(Foto: Reprodução/TV Clube)
Quem vê historias de otimismo como essa, pode imaginar que o principal incentivo para tornar essas terras altamente produtivas, está na força que a agricultura irrigada tem hoje, nessa região do Piaui.

Lá é o berço dos Platôs de Guadalupe, um próspero empreendimento que reúne pequenos e até grandes produtores. É gente que há pelo menos duas décadas, investe nesse negócio, esperando movimentar a economia, gerando produto de qualidade, renda e emprego.

“Desde quando cheguei aqui e conheci o perímetro irrigado, eu conheci o potencial do local. Vimos que conseguiríamos ter dois ganhos, um da logística e outra da produção feita aqui”, declarou Márcio Pollaconte, presidente da Associação dos Irrigantes.

O projeto tem ao todo 16 mil hectares, só que menos de 30% desse total são irrigados, o restante, deve ser ocupado no futuro, conforme a expansão das fases que compõem a área dos platôs. Além de banana, agricultores também apostam na plantação de goiaba (Foto: Reprodução/TV Clube)
Nesta região, quase tudo é banana, mas tem espaço pra goiaba, outro fruto comum e que ocupa cerca de 60 hectares.

Hugo Rodrigues é engenheiro agrônomo e faz a assessoria técnica da Associação de Irrigantes. Ele explica o que faz a produção ter qualidade suficiente para disputar bons mercados.

“Após a construção da barragem foi feito um levantamento, um estudo das condições climáticas e comprovado que a região possui condições adequadas para a floricultura”, afirmou Hugo Rodrigues. Produção piauiense abastece estados vizinhos(Foto: Reprodução/TV Clube)
Pelas contas a Acipe, que reúne mais de 150 pequenos produtores do perímetro irrigado, a produção de banana em 2015, bateu a casa das sete mil toneladas.

Isso representa 25% a mais do que a produção registrada há cinco anos. Entretanto, para muitos irrigantes, esse número ainda é modesto, e não é só por causa do potencial da região não.

“Nós temos uma segunda parte toda por licitar. Além disso, deve ocorrer em breve a instalação de mais duas bombas que fazem a captação de água do rio Parnaíba”, estima Francisco das Chagas Vieira, gerente executivo da Acipe.

A estrutura não é só apenas o conjunto de canais que se espalha pelos platôs levando água até os projetos individuais, mas todo processo que envolve o escoamento da produção e logística, que vai longe, alcançando hoje até a região Norte do Brasil. Hoje, a banana produzida em Guadalupe abastece o Piauí e estados vizinhos.

 O mercado interno também ganha com a produção e estima-se que entre 30% e 40% dos frutos produzidos no perímetro irrigado, são destinados para o Piauí, para as feiras livres, como a no Centro de Guadalupe. Platôs de GuadalupeGuadalupe só ganhou com a expansão da fruticultura piauiense e, principalmente, respeitar quem abraçou esse negócio promissor.

Fruticultura mudou o cenário na região há mais de 10 anos (Foto: Reprodução/TV Clube)
A cidade possui duas grandes obras federais – uma barragem e uma hidrelétrica. Os platôs de Guadalupe só serviram para evidenciar ainda mais a vontade dos produtores de trabalhar com algo novo, mas para explorar ainda mais a irrigação, foi preciso explorar ainda mais a vida de pessoas que vieram de fora.

Essa transformação aconteceu há 10 anos. Em 2005, pernambucanos e baianos se mudaram para cá em busca de boas terras e água em abundância.

Márcio é irrigante, atual secretário de meio ambiente de Guadalupe e fala com conhecimento de causa sobre o assunto. “Isso era um elefante branco que estava adormecido.

Tudo estava no ponto de ser produzido, mas nós não tínhamos tecnologia para  trabalhar com que estavam nos oferecendo. Aí veio nossos irmãos pernambucanos e baianos que trouxeram a tecnologia e experiência para nos ajudar, pois tínhamos tudo, mas faltava a mão-de-obra especializada”, afirmou o secretário.

Hortas em FlorianoA equipe também visitou projetos que transformam famílias inteiras em verdadeiros empreendedores rurais em Floriano. Numa localidade, há 22 km da Princesa do Sul, a irrigação está ajudando a mudar vidas.

Hoje, 15 famílias participam do projeto. Elas cuidam e movimentam a cadeira produtiva do começo ao fim.

Foi assim que muita gente conseguiu aumentar a renda e até o patrimônio. Hortas têm mudado a vida de muitas famílias proporcionando renda (Foto: Reprodução/TV Clube)
Os moradores plantam coentro, cebolinha e alface.

No local, tudo é verdinho e cultivado sem nada de agrotóxico. O horticultor Francisco Barbosa mora numa comunidade rural e tem o privilégio de ter uma horta na porta de casa.

Há menos de dois anos, eles passaram a trabalhar num projeto agroecológico, que oferece assistência técnica para o cultivo de hortaliças. Isso fez muita gente trocar a roça, que já não rendia tanto, por uma atividade nova e com apoio, tudo ficou mais fácil.

O horticultor Raimundo Gonçalves comenta que trabalhar na roça estava sendo muito difícil por causa da falta de chuva. “A produção da roça acabou, agora com esta horta foi uma benção de Deus”, disse.

A dona de casa Iraci Gonçalves comemora a mudança em sua vida. Junto com dois filhos, ela comercializa o que produz na feira da cidade.

“No sábado, nós colhemos as verduras que serão comercializadas no domingo. Hoje acho bom porque vendemos na feira e quando não vamos, eu sinto falta”, revelou.

Tudo o que sai das hortas agroecológicas, é vendido no município. Essa é uma das principais características do projeto: valorizar o que o homem do campo tem de mais valioso.

” A gente percebe que famílias que praticamente não tinham renda e dependiam da chuva para sobreviver estão tendo a oportunidade de melhorar a vida através de um arranjo produtivo” comentou o prefeito de Floriano, Gilberto Júnior. Mesmo em tempos de crise, o que não falta é gente sonhando alto, com a ampliação do projeto pra não ter que trocar o campo pela cidade.

“Todo início de negócio há barreira e dificuldades, mas quem iniciou a produção está conseguindo progredir e isso se torna um ponto positivo”, acrescenta Jair da Silva, presidente da Associação de Horticultores Agroecológicos.
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