De cabeça baixa e escondendo o olhar, suspeita entrou na clínica em Vilhena (RO) (Foto: Aline Lopes/G1)
O segundo exame de sanidade mental de Vania Basílio Rocha, de 19 anos, foi realizado na quarta-feira (13), em uma clínica particular da cidade de Vilhena (RO). Durante cerca de 3 horas, a jovem suspeita de ter matado o ex-namorado durante o ato sexual, em dezembro de 2015, foi avaliada pelo médico psiquiátrico, Adriano Stranieri, que informou não ter autorização para dar entrevistas. Contudo, adiantou que o laudo estará disponível na segunda-feira (18), na 1ª Vara Criminal do município.

De cabeça baixa e escondendo o olhar, ao contrário do primeiro exame em que saiu sorrindo do IML, ela entrou no prédio com a mesma roupa da consulta anterior, no local onde já se encontrava a mãe, que também foi ouvida no dia.
A suspeita chegou à clínica às 13h30, acompanhada pelo diretor administrativo do presídio feminino e uma agente penitenciária.

Por volta das 16h30, Vânia saiu da clínica e voltou para o presídio feminino. Em seguida, a mãe entrou na sala do psiquiatra e permaneceu na consulta por cerca de 1 hora.

Na saída, ela não quis dar declaração à imprensa sobre o assunto.
A consulta de Vania faz parte de um pedido feito pela Defensoria Pública do Estado de Rondônia (DPE-RO), em fevereiro, para analisar a sanidade mental da suspeita.

“Pelas entrevistas e depoimentos colhidos durante o processo, a Vania aparenta ter um distúrbio mental. E, nesse caso, em que a pessoa que comete o crime não detém essa livre consciência e vontade necessárias para a punição criminal, ela precisa ser submetida a esse exame”, explicou o defensor público do caso, George Barreto Filho.

No dia 1º de abril, o primeiro exame foi realizado no Instituto Médico Legal (IML) de Vilhena. De acordo com o médico legista do caso, Paulo Nogueira, Vania respondeu a uma entrevista, em que foi perguntado como e por que aconteceu o crime.

Ela também foi indagada sobre o relacionamento com a família, amigos, escola, emprego e também sobre os relacionamentos amorosos. No primeiro exame, Vania saiu do IML sorrindo, em Vilhena (RO) (Foto: Ricardo Araújo/Rede Amazônica)
Ainda conforme o médico, durante as perguntas, ela contou com detalhes como praticou o crime e mostrou tranquilidade e frieza no relato.

Além disso, ela não chorou e não mostrou remorso ou arrependimento pelo homicídio.
Os laudos das duas avaliações definirão se a jovem é inimputável – termo usado para pessoas que não têm capacidade para responder pelos atos.

Os médicos deverão responder a um questionário emitido pelo juízo e pela defesa.
Segundo o defensor público, se o laudo der negativo, “provavelmente ela irá ser pronunciada e julgada pelo Tribunal do Júri.

Se o laudo der positivo para insanidade, provavelmente ela não será pronunciada e não será submetida a uma pena privativa de liberdade e sim a uma medida de segurança, que é procedimento curativo. Ela vai ser tratada por ter uma doença”, conclui.

Vania trabalhava como vendedora em Vilhena (RO)(Foto: Arquivo Pessoal)Entenda o casoNo dia 30 de dezembro de 2015, a vendedora Vania Basílio Rocha, até então com 18 anos, foi presa em flagrante após matar o ex-namorado a facadas. A Polícia Civil informou que o crime aconteceu na casa da vítima, no momento em que os dois iriam iniciar uma relação sexual.

Enquanto estavam deitados na cama, a jovem pegou a faca, que estava escondida dentro da bolsa, e golpeou Marcos Catanio Porto, de 26 anos, em várias partes do corpo, que não resistiu aos ferimentos.
Após ser presa, ainda na delegacia, Vania relatou ao G1 que planejou o crime.

Segundo ela, três nomes de possíveis vítimas foram colocados em uma lista: um amigo, um “ficante” e o ex-namorado. Na noite de terça-feira (29), ela ligou para os dois primeiros, que não puderam vê-la, pois estavam com a família.

Na manhã do dia 30, Vania ligou para Marcos alegando que queria se despedir, pois iria embora para outro estado. Ela então colocou uma faca de cozinha dentro da bolsa e foi para a casa da vítima, que havia aceitado receber a visita.

O casal foi para o quarto e, durante as preliminares sexuais, ela esfaqueou o ex-namorado.
“Eu queria matar uma pessoa só, dos três.

Eu tapei o olho dele. Aí peguei a faca e meti nele.

Ele reagiu e veio para cima de mim e eu fui para cima dele também. Eu enforquei ele e aí comecei a meter [facadas] em outras partes do corpo dele.

Daí, ele gritou socorro e a porta estava trancada. O irmão dele quebrou a janela.

Quando o irmão dele entrou, ele já estava quase morrendo. Fiquei olhando olho no olho até ele morrer”, narrou.

Croqui do IML mostra que Marcos foi esfaqueado 11vezes, em Vilhena (Foto: Polícia Civil/ Divulgação)Laudo da vítimaO laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que Marcos levou 11 facadas, sendo no pescoço, abdômen, braços, mão e pernas. Segundo um croqui divulgado pela Polícia Civil, a perfuração de faca no pescoço foi o que motivou a morte do rapaz.

Conforme a análise do médico legista, a facada no pescoço atingiu a veia jugular interna da vítima e provocou um choque hipovolêmico – perda de grande quantidade de sangue. “A Vania disse que a primeira facada foi no pescoço e foi essa que o matou.

As outras aconteceram enquanto ele se defendia, mas já estava perdendo sangue”, explicou no fim do mês de janeiro, o delegado regional, Fabio Campos. Comportamento estranhoDesde o dia da prisão, a suspeita estava isolada das outras presas, em um processo chamado de triagem, que de acordo com a direção do presídio, é um procedimento comum a todas as presas que dão entrada na unidade.

“Ela chega, fica dez dias sob observação para verificar o comportamento e a conduta com os agentes e depois disso vai para a carceragem com as outras presas”, explicou, na ocasião o diretor Flavio Miranda.
Segundo a direção, Vania estava sozinha na cela pelo fato de outras mulheres não terem sido presas depois dela.

No entanto, após apresentar comportamento estranho, relatado por agentes plantonistas, Vania foi colocada em uma cela mais próxima da carceragem, onde continuou sozinha.
No dia 11 de janeiro, ela foi transferida para uma cela comum, com mais quatro detentas e não tem apresentado problemas.

A direção da unidade confirmou que Vania passou por avaliação psiquiátrica, mas o teor da consulta não foi divulgado. MãeA mãe de Vania ainda não consegue entender o que levou a filha a cometer o homicídio.

Preferindo não se identificar, disse que a família não pretende pagar advogado para ela. “Acho justo ela pagar pelo que fez”, disse na época.

“Sou a mãe dela. O que puder fazer por ela, nós faremos.

Eu amo ela incondicionalmente. Ela é minha filha, mas acho justo ela pagar pelo que fez.

Ela não tem advogado. O advogado será do estado, pois não vou contratar advogado”, enfatizou.

Polêmica no FacebookUma das publicações de Vania mais comentadas no Facebook é o texto de um blog que tinha como título: “eu não fui uma má namorada, você que me tornou”. Após ser presa e confessar que matou o ex-namorado, os uários criticaram a postagem.

“Imagina se fosse boa”, escreveu um jovem. “Louca, psicopata, parece que estava possuída pelo demônio”, acrescentou outro usuário.

A postagem foi feita dois dias antes do crime. Post sobre namoro foi feito dois dias antes do homicídio (Foto: Reprodução/ Facebook)
Meses antes de matar o ex-namorado, Vania declarou que o amava em uma postagem no Facebook.

Ela publicou uma foto no perfil em outubro de 2013. Em 2 de junho de 2015, Marcos comentou: “Ti amo muito”.

No dia seguinte, a vendedora respondeu: “te amo, mais ainda”.
Vania disse em entrevista na delegacia que namorou com Marcos por nove meses, mas que estavam separados há dois meses.

Marcos foi esfaqueado sete vezes pela ex, segundofunerária (Foto: Arquivo Pessoal)Últimas palavrasNo velório de Marcos, em 31 de dezembro de 2015, Mauricio Jacob contou que estava na casa onde ocorreu o crime. “Ele morreu nos meus braços.

‘Ela é louca’ foram as últimas palavras dele. Perdi um irmão”, lamentou o amigo da vítima.

Mauricio lembrou que após chegar na residência, Vania foi para o quarto com Marcos.
Depois de algum tempo, Mauricio e o irmão da vítima, Alberto, ouviram gritos de socorro.

“Arrombamos a janela, pois a porta estava fechada. Quando entramos, ele segurava o braço dela com a faca.

Arranquei a faca da mão dela e joguei longe. Ela sumiu e o Tim foi caindo para trás, falando que ela era louca”, contou Mauricio, emocionado.

Após o crime, Vania se escondeu no banheiro onde ficou até a chegada da Polícia Militar. Ela foi presa em flagrante por homicídio qualificado, pois usou de meios que dificultaram a defesa da vítima, segundo a Polícia Civil.

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