Suspeitos foram presos em flagrante durante operação do Garras (Foto: Graziela Rezende/G1 MS)
Após prender parte da quadrilha que estava furtando gado na região leste do estado, a polícia busca identificar quem são os contabilistas que estavam atuando em conjunto com o grupo. Sem compradores e muito menos vendedores dos animais da raça Nelore, eles tinham o apoio destes profissionais para emitir nota fiscal e também a Guia de Trânsito Animal (GTA), que possibilitava o transporte legal da carga, mesmo que roubada, conforme a polícia.
“Os contadores usavam a senha de outros pecuaristas para entrar no sistema da Iagro [Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal] e legalizar o gado da quadrilha.

Com isso, eles buscavam receptadores. No caso deste flagrante, por exemplo, eles estavam levando os animais para Araçatuba”, afirmou ao G1 o delegado Edilson dos Santos, titular da Delegacia Especializada de Repressão à Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras).

Além da facilidade no sistema, conforme o delegado, os suspeitos ainda pagavam caminhoneiros a cada transporte. “Os motoristas dos caminhões recebiam R$ 1 mil a cada viagem.

Neste último furto, eles receberiam R$ 5 mil porque se tratava de um transporte maior, de 90 cabeças de gado. Porém nós prendemos eles poucas horas após carregarem os animais na rodovia”, explicou Santos.

O grupo é investigado há 45 dias, de acordo com Edilson. Todas as propriedades na qual eles tem possível envolvimento ficam no município de Ribas do Rio Pardo, a 84 km de Campo Grande.

Na madrugada do dia 20 de abril, eles invadiram a propriedade Santa Rita e carregaram três caminhões com 90 animais.
“A ação deles é muito organizada, pois haviam abastecida os veículos em Água Clara, horas antes, e depois seguiram para a fazenda.

O líder da quadrilha é experiente, pois define quem dirige, quem conta os animais, quem legalizada a carga, entre outras atribuições. O líder do grupo inclusive já foi preso outras três vezes pelo Garras e com a mesma caminhonete.

Quando solto, ele volta a atuar no crime”, avaliou o delegado. Outros crimesAo todo, 8 suspeitos foram presos, além de quatro que estão sendo procurados.

O grupo, segundo o delegado Rafael Kenji, titular da delegacia de Ribas do Rio Pardo, pode estar envolvidos em crimes ocorridos no mês de julho de 2015, no qual o proprietário contabiliza o prejuízo de 89 cabeças, dezembro do mesmo ano, com mais 15 animais, além de um furto registrado no início deste mês, de 12 cabeças.
“Os suspeitos vão responder por falsidade ideológica, uso de documento falso, organização criminosa e o furto qualificado, que caracteriza o crime de abigeato”, finalizou o delegado.

Com relação ao flagrante dos 90 animais, 60 foram entregues imediatamentes ao dono, 10 morreram dentro do caminhão, por conta da superlotação e outros 20 o proprietário saiu em busca nas estradas vicinais da região. Para ele, o prejuízo mínimo é de R$ 150 mil.

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