Grupo se mobilizou em frente ao 28 de Agosto nesta quinta-feira (14), em Manaus (Foto: Gabriel Machado/G1 AM)
Um grupo de técnicos em enfermagem realizou na noite desta quinta-feira (14) um protesto em frente ao Hospital Pronto Socorro 28 de Agosto, na Avenida Mário Ypiranga Monteiro, Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus. Os profissionais reivindicam o pagamento de salário em dia.
De acordo com um dos integrantes da manifestação, que preferiu não se identificar ao G1, o atraso do pagamento dos técnicos é algo que acontece todos os meses.

“Hoje [quinta] foi o último dia do prazo para nos pagarem. Nosso pagamento sempre é irregular e já chegamos ao limite.

Nós também temos famílias e despesas para arcar”, afirmou.
Segundo ele, muitos dos técnicos estão abandonando os estudos por conta dos atrasos.

“Às vezes, demora meses para [nosso salário] cair. Tem mês que não recebemos nem vale-transporte.

Como podemos vir trabalhar? Nós acabamos faltando o serviço, mas não porque queremos e sim porque não temos como vir”, completou outra integrante do protesto, que também não quis se identificar. Técnicos reivindicam pagamento de salário em dia(Foto: Gabriel Machado/G1 AM)
O pagamento dos técnicos em enfermagem do 28 de Agosto é efetuado por uma empresa terceirizada do hospital, que presta seus serviços ao local há cerca de um ano.

“Sempre que atrasa os salários, procuramos a empresa. Ela nos diz ou que não tem previsão ou que a Susam [Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas] não repassou a verba para o pagamento”, desabafou uma terceira manifestante.

Paralisação de atividadesDe acordo com o grupo, os técnicos já cogitaram paralisar as atividades, mas descartaram a ideia. “Nessas horas, temos que ser empáticos com os pacientes.

Podia ser a gente no lugar deles. E não é justo o paciente pagar pelo erro de uma empresa.

Não nos permitiríamos ser tão irregulares, assim, com eles. Afinal, também precisamos da ajuda e do apoio deles”, disse um dos participantes do protesto.

Com o atraso dos salários, os pacientes do hospital estão sendo prejudicados, alega uma das técnicas. “Como não está tendo pagamento, alguns [técnicos] não querem trabalhar.

Os pacientes ficam à mercê, porque são muitos deles para poucos profissionais, principalmente na UTI. Plantão passado, ficaram sete internados para um técnico.

E segundo a Lei, são dois pacientes para um profissional”.
Segundo os técnicos, algumas vezes, o próprio diretor do 28 de Agosto teve de realizar os pagamentos.

“Hoje, ele [o diretor] ligou para todos os técnicos na UTI e pediu que não faltássemos o serviço, que iria nos pagar uma gratificação. Mas não podemos viver disso.

Merecemos respeito, pois estamos cuidando de vidas”, encerrou uma manifestante.
A equipe de reportagem do G1 aguarda nota do Hospital 28 de Agosto e da empresa responsável pelo pagamento aos técnicos.

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