O reitor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Marcus David, acompanhado de parte da equipe de gestão, apresentou nesta sexta-feira (13) um balanço com a situação das obras no campus e das dívidas encontradas após análises dos últimos quatro anos das gestões anteriores.
De acordo com os dados, existem atualmente 18 obras completamente paralisadas e outras cinco em andamento. O que vai acontecer com elas a partir de agora só será definido em uma reunião com o Conselho Superior (Consu) da universidade, no dia 24 de maio.

Até lá, todos os envolvidos poderão analisar os documentos e definir os andamentos.
David também relatou que, nas análises, encontrou o que chamou de “estoque de dívidas” de gestões anteriores, que somam R$ 14 milhões.

Os dados completos serão divulgados à comunidade na segunda-feira (16), pelo site da universidade. O G1 não conseguiu contato com os reitores que passaram pela administração nos últimos quatro anos.

Para o reitor, a análise mostrou que existe um pico nos gastos em 2015, ocasionado pela crise financeira nacional. “Os dados mostram, de forma muito clara, que os gastos vão aumentando gradativamente de 2012 até 2015, mas aí dá para perceber que fomos realmente afetados pela crise”, informou.

A situação, segundo ele, pode ficar pior, dependendo de decisões de órgãos superiores sobre liberação de receitas. “Em 2015, já tivemos um corte no orçamento, mas agora temos um cenário em 2016 para que seja ampliado, o que pode nos trazer dificuldades muito grandes”, adiantou.

UFJF tem 18 obras paradasA universidade também fez um apanhado das obras no campus de Juiz de Fora e descobriu que existem 18 totalmente paradas, a maioria por motivos jurídicos ou problemas graves de engenharia nos projetos, e outras cinco em andamento, além do Centro de Ciências (Planetário), que foi entregue na última sexta-feira (9) e será utilizado pelo Colégio João XXIII.
Sobre uma eventual “vantagem” das obras que estão em andamento e, por isso, poderiam ser entregues mais rapidamente, o reitor preferiu deixar a decisão para a reunião do Consu.

“Elas precisam ser discutidas, porque têm especificações muito diferentes. Existe uma tendência para que se priorizem unidades de ensino, prédios de faculdades, mas não posso definir essas prioridades agora nem tratar todas do mesmo jeito”, disse.

“Pacotes de dívidas” e orçamento 20% menorAo explicar as dívidas que foram encontradas na análise de anos anteriores, que somam R$ 14,2 milhões, David afirmou que negociações precisam ser firmadas com diversas concessionárias e empresas. “Algumas já estão com processo de quitação em andamento, mas precisamos saber se teremos receitas para cumprir tudo isso.

É uma prioridade nossa reduzir o montante”, contou.
O reitor explicou, também, que o orçamento que a UFJF pode contar está 20% menor que o disponibilizado em 2015 e isso, caso não tenha alteração, pode comprometer o destino da administração.

“Quando você soma todos estes fatores, nos faz projetar cenários muito preocupantes. Selecionamos três hipóteses possíveis, desde a pessimista até a positiva, e a UFJF vai pelo do meio, o realista, com uma projeção de R$ 14 milhões negativos”, afirmou.

Ele narrou o cálculo citando que os gastos previstos pela UFJF em 2016 giram em torno de R$ 128 milhões, sendo R$ 106 mi em gastos comuns, R$ 7 mi em contratos menores, além dos R$ 14 mi em dívidas passadas. Enquanto isso, a receita prevista, já com o corte de 20%, pode chegar a R$ 113 milhões.

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