Professores e servidores estaduais fizeram um ato simbólico na Praça Tiradentes (Foto: Alana Fonseca/ G1)
Professores e servidores estaduais foram às ruas de Curitiba nesta sexta-feira (29) – dia em que o conflito entre docentes e policiais militares em frente à Assembleia Legislativa completa um ano. De acordo com o Sindicatos dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato), o número de participantes chegou a 25 mil. A Polícia Militar (PM) informou cinco mil manifestantes.

Durante a tarde, na Praça Nossa Senhora da Salete, estão previstos shows da banda Detonautas e Pereira da Viola. Acompanhe em tempo real.

A data deixou na lembrança cenas guerra, com intervenção violenta da Polícia Militar no protesto dos servidores. Foram usados spray de pimenta, bombas de efeito moral, balas de borracha, cassetetes e jatos d’água.

Mais de 200 manifestantes ficaram feridos. A Secretaria de Segurança Pública afirmou, à época, que 20 policiais também ficaram machucados.

O dia 29 é realmente um dia emblemático. Nenhum de nós gostaria que tivesse acontecido, principalmente, aquelas ações do dia 29 do ano passado.

Mas agora são outros tempos”
Ana Seres, secretária de Educação do Paraná
“O dia 29 é realmente um dia emblemático. Nenhum de nós gostaria que tivesse acontecido, principalmente, aquelas ações do dia 29 do ano passado.

Mas agora são outros tempos. Eu assumi dia 6 de maio e, imediatamente, abrimos para diálogo não só com o sindicato, mas com professores, diretores e funcionários.

Esse diálogo é constante”, afirmou a secretária de Educação do Estado do Paraná, Ana Seres.
Com a mobilização, 45% das escolas do Paraná ficaram totalmente sem aulas.

Conforme dados da Secretaria Estadual de Educação, 32% das instituições de ensino tiveram as atividades comprometidas parcialmente, e 23% funcionaram normalmente. Antes mesmo do dia do protesto, o governo estadual anunciou que os professores e servidores que faltassem teriam o dia de trabalho descontado da folha de pagamento.

Professores de diversas cidades do estado se deslocaram até a capital paranaense para participar da ação. “Fiz questão de vir rememorar o 29 de abril.

Eu estava aqui com amigos de Pato Branco, onde fomos humilhados, maltratados, xingados e surrados pelo governo. Professores não merecem, nós merecemos respeito.

Hoje é um dia de luta”, Neli Angélica Frozza Ariotti, que é professora em Pato Branco no sudoeste do estado. Professora Neli Angélica Frozza Ariotti (à direita) saiu de Pato Branco para participar da mobilização em Curitiba (Foto: Alana Fonseca/ G1)Por trás do 29 de abrilO clima de tensão entre professores, servidores e o governo de Beto Richa (PSDB) começou três meses antes.

Com a proposição de medidas de ajuste fiscal, incluindo mudança no plano de previdência dos servidores.
Em fevereiro, o protesto dos servidores teve como sede o Centro Cívico, e a Assembleia Legislativa foi cercada por manifestantes.

Para garantir a votação do chamado “pacotação”, o então secretário da Segurança Fernando Francischini (SD) deslocou um camburão para transportar os deputados. Servidores e professores ocuparam a Assembleia e conseguiram adiar a votação.

Em 28 de abril, o projeto para alterar a previdência voltou à pauta na Assembleia. No dia seguinte, foram instaladas grades de contenção e o efetivo policial foi incrementado.

O tumulto começou às 14h, com o início da sessão, e durou quase duas horas. Apesar do cenário preocupante do lado de fora, o presidente da Assembleia seguiu com a votação, e o projeto foi aprovado.

Sem culpadosNesta sexta, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) informou que deve encaminhar o pedido de arquivamento do inquérito que apurou a participação de grupos “black blocs”, suspeitos de usar o vandalismo como forma de protesto, durante o confronto. Segundo o MP, nenhum integrante foi identificado.

A ação dos PMs também foi alvo de investigações. Em fevereiro deste ano, o inquérito que investigava policiais por lesão corporal foi arquivado.

O procurador que atua junto à vara de auditoria militar Mizael Duarte Pimenta Neto considerou que não havia elementos para dar prosseguimento à ação. No entanto, os policiais envolvidos seguem sendo investigados por abuso de autoridade, explosão de artefato e explosão de gás asfixiante.

A Justiça Militar Estadual também decidiu pelo arquivamento do inquérito policial militar. Na sentença, o juiz David Pinto de Almeida considerou que as ações da PM no Paraná seguiram as regras de uso progressivo da força e que não caberia aos policiais militares escalados em serviço, transigir ou negociar sobre as ordens recebidas.

O MP-PR também abriu uma ação cível pública contra o governador Beto Richa (PSDB) por supostos atos de improbidade administrativa. Também foram requeridos na ação o ex-secretário de Segurança Fernando Francischini, o ex-comandante da PM César Vinícios Kogut, o ex-subcomandante Nerino Mariano de Brito e o tenente-coronel Hudson Leôncio Teixeira.

O processo está em andamento. O Ministério Público Federal (MPF) também abriu uma investigação para apurar se houve violação de direitos humanos para apurar por parte do governo do Paraná.

Este processo também ainda não foi concluído. Manifestantes fizeram um boneco em referência ao governador Beto Richa (PSDB) (Foto: Alana Fonseca/ G1)
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