Prefeito de Chopinzinho foi preso em casa, no dia22 de março de 2015 (Foto: Prefeitura deChopinzinho/ Divulgação)
A Câmara de Vereadores de Chopinzinho, no sudoeste do Paraná, decidiu aceitar o pedido de renúncia do prefeito afastado da cidade, Leomar Bolzani (PSDB). Com a saída dele, os parlamentares deverão empossar o vice-prefeito Rogério Masetto (PDT) para o cargo.
Bolzani cumpre prisão domiciliar desde novembro de 2015.

Ele é suspeito de mandar matar o procurador do município, Algacir Teixeira de Lima, em março do mesmo ano.
Com a renúncia, Bolzani perde o direito ao foro privilegiado, no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

Caso seja julgado pelo crime, o processo deverá correr em primeira instância, na Comarca de Chopinzinho.
“Desde o início ele queria ser julgado por Chopinzinho, pelo seu Município.

Ele insistiu, foi orientado e estamos fazendo isso agora, com a renúncia. A rapidez no andamento do julgamento é um dos fundamentos.

Mas, o principal é que ele é daqui, filho de Chopinzinho, prefeito da cidade. Por isso, a motivação maior é perder o foro privilegiado e ser julgado por seus pares”, destacou o advogado de defesa, Auro Almeida Garcia.

O comunicado oficial da renúncia foi entregue à Câmara Municipal na sexta-feira (29). Com a aprovação dos vereadores, o prefeito em exercício, Rogério Masetto (PDT), será efetivado no cargo.

Desde que passou a cumprir a prisão domicilar, Bolzani não pode ultrapassar o limite de dez metros de casa e está proibido de fazer contato com parentes do procurador ou testemunhas do processo, além de não poder se mudar ou sair de casa sem autorização da justiça. Caso a renúncia seja aceita e o processo encaminhado à Vara de Justiça de Chopinzinho, caberá ao juiz local decidir se a prisão será mantida nos mesmos moldes.

“Vamos tentar revogar essa prisão para que ele, que é professor, possa voltar a trabalhar”, comentou Garcia. Procurador foi morto quando chegava em casacom as duas filhas (Foto: Reprodução RPC)O casoSegundo as investigações, o crime foi motivado por uma denúncia feita pelo procurador sobre a ação de um grupo que vinha agindo dentro da prefeitura de Chopinzinho e era chefiado pelo então prefeito.

O procurador foi morto a tiros quando chegava em casa. Na época, sete pessoas foram presas, entre elas o então prefeito.

Em julho de 2015, o homem que confessou ter assassinado Lima negou ao juiz que cometeu o crime a mando do prefeito afastado e do ex-assessor Giovane Baldissera. Ele disse que agiu sozinho e matou a vítima por causa de uma dívida de R$ 2,5 mil.

Apesar de negar a participação de Bolzani ao juiz, em um vídeo divulgado pela polícia, o homem que confessou ter assassinado o procurador aparece dizendo que estava sendo pressionado a terminar o serviço. Ele cita “Pardal”, apelido do ex-assessor do prefeito, e de uma mulher, conhecida como macumbeira, que teria intermediado a contratação do atirador, segundo a polícia.

A mulher também chegou a confessar para a polícia o envolvimento no crime. Mas, diante do juiz da Vara Criminal ficou calada.

O marido dela e os dois irmãos, que teriam ajudado na fuga do assassino, de acordo com a investigação, também não falaram.
Por enquanto, apenas o ex-assessor do prefeito e a mulher tiveram o julgamento marcado.

O júri popular deverá ser realizado no dia 29 de junho, em Guarapuava. Os demais aguardam o resultado de recursos apresentados.

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