O ex-ministro José Dirceu está preso no Complexo Médico-Penal em Pinhais, no Paraná (Foto: Rodolfo Buhrer/Reuters)
O ex-ministro José Dirceu, que foi levado para ao Hospital Santa Cruz, em Curitiba, para uma bateria de exames, nesta segunda-feira (18), deixou o local três horas e meia depois. Como os advogados tinham solicitado o internamento até terça-feira (19), a PF não soube explicar se ele precisará voltar para fazer mais exames.
O G1 tenta contato com o advogado de Dirceu Roberto Podval.

Dirceu reclamou de dores de cabeça constantes, além de hipertensão arterial, hipercolesterolemia e distúrbio de ansiedade e deu entrada no pronto-socorro por volta das 7h desta segunda (18) e ficou na sala de exames até 10h30. Às 11h, ele já tinha retornado ao Complexo-Médico Penal, onde está detido pela Lava Jato.

Para justificar o pedido de internamento, a defesa do ex-ministro apresentou um relatório médico que prescrevia o internamento para controle da pressão e realização dos exames.
No início de abril, o juiz Sérgio Moro já tinha autorizado o internamento.

Na decisão, ele ressaltou que, diante da limitação de policiais federais para realização de escolta, José Dirceu deveria realizar uma bateria completa de exames, preferencialmente realizados na mesma data.
Por sua vez, no dia 11 de abril, defesa do ex-ministro informou que, devido à complexidade dos exames, seria preciso agendar as duas datas, com internamento do paciente, que seria entre esta segunda e terça-feira (19).

O atestado médico assinado por Job José da Natividade Neto, médico pessoal do ex-ministro, afirma que o paciente sentiu dor de cabeça por 20 dias “intermitente, lancinante e sem fator de melhora ou piora”. Conforme o médico, apesar de estar preso em unidade prisional hospitalar, ele não possui o serviço de radiologia necessário.

AcusaçõesSegundo as investigações, Dirceu indicou Renato Duque para a diretoria de Serviços da Petrobras e, a partir disso, organizou o esquema de pagamento de propinas. Duque também é réu em outras ações penais originadas na Lava Jato e também está detido no complexo médico.

Segundo o procurador, Dirceu era responsável por definir os cargos no governo Lula e o nome de Duque foi sugerido pelo lobista Fernando Moura.
Atualmente, José Dirceu responde pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro em uma ação penal oriunda da 17ª fase da Lava Jato – batizada de Pixuleco.

Ele também é acusado de receber propinas da Engevix Engenharia no esquema de corrupção da Petrobras.
A ação penal está na fase de alegações finais das defesas – o prazo segue até 21 de abril.

Esta é a última fase antes da sentença do juiz. O Ministério Público Federal (MPF) já apresentou as alegações, reforçando o pedido de condenação do ex-ministro.

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