Membros de equipe de resgate carregam o corpo de uma vítima encontrada em um prédio que desabou em Pedernales, no Equador (Foto: Henry Romero/Reuters)
O Equador foi sacudido novamente na madrugada desta quarta-feira (20) por um forte tremor, que provocou alarme entre as pessoas que participam nos trabalhos de resgate na região onde o terremoto deixou 480 mortos e 1.700 desaparecidos há quatro dias.
O novo terremoto, de 6,1 graus segundo o Instituto de Estudos Geológicos dos Estados Unidos e 6,2 de acordo com o Instituto Geológico do Equador, foi prolongado, mas não foram constatados danos até o momento.

O epicentro foi localizado a uma profundidade de 15,7 quilômetros, a 25 km de Muisne e a 73 km de Propicia. As autoridades não ativaram o alerta de tsunami.

Quase quatro dias depois do terremoto de 7,8 graus que devastou a costa equatoriana e em meio a vários tremores secundários, o abalo desta quarta-feira aumentou a angústia dos sobreviventes, que sofrem com a falta de água e mantimentos, além dos frequentes cortes de energia elétrica.
“Não temos água, nem alimentos.

As lojas estão fechadas ou vendem muito caro”, disse à AFP Andrés Mantuano, na cidade de Manta, província de Manabí, a mais afetada.
O péssimo estado das estradas na costa do Pacífico equatoriano, o temor de saques e a instabilidade dos edifícios levaram muitos comerciantes a fechar as portas.

A ausência de produtos básicos, sobretudo água e alimentos, começa a irritar a população em uma região que parece um cenário de guerra.
Ao mesmo tempo, 900 socorristas, bombeiros, médicos e especialistas de vários países prosseguem com os trabalhos em busca de sinais de vida entre os escombros, mas no geral conseguem apenas recuperar corpos.

O desespero dos familiares com a demora na retirada dos corpos é cada vez maior, ao mesmo tempo que o cheiro dos cadáveres em decomposição se torna mais intenso.
De acordo com o balanço mais recente, pelo menos 480 pessoas morreram, 4.

605 ficaram feridas e 1.700 são consideradas desaparecidas depois do violento terremoto de 7,8 graus, o mais forte em quase 40 anos no Equador.

As autoridades advertem que os números devem aumentar nas próximas horas.
O terremoto destruiu 800 edifícios destruídos, afetou outros 600 e deixou estradas e infraestruturas em colapso em zonas turísticas.

O presidente Rafael Correa calculou em US$ três bilhões os danos, o que representa de dois a três pontos do PIB e deixa a situação econômica do país ainda mais complicada depois da queda do preço do petróleo.
Vários países ofereceram ajuda ao governo equatoriano.

Em Pedernales, balneário que fica 180 km ao norte de Manta e epicentro do terremoto de sábado que deixou a cidade de 60.000 habitantes destruída, um pequeno campo de futebol foi transformado em Centro de Operações de Emergências (COE) e inclui um necrotério, um centro de atendimento médico e uma central de distribuição de produtos básicos.

O local distribui roupas, alimentos e medicamentos, assim como papel higiênico e cobertores, recebidos de doações públicas e de particulares de todo o país.
De acordo com o Unicef, 150 mil crianças foram afetadas pelo terremoto.

De acordo com o Unicef, 150 mil crianças foram afetadas pelo terremoto (Foto: Dolores Ochoa/AP)
Alguns bombeiros questionaram a rapidez com que algumas brigada usaram equipamento pesado.
“Infelizmente não permitiram as 72 horas para que os grupos trabalhassem em sua parte das operações.

Desde domingo começaram a remoção com equipamento pesado, reduzindo muito os espaços de vida na estrutura”, declarou à AFP o tenente Ricardo Méndez, comandante dos socorristas do corpo de bombeiros da cidade colombiana de Pasto, um dos voluntários.
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Fonte: G1