A presidente da organização Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, em foto de arquivo (Foto: AFP Photo/Juan Mabromata)
A organização humanitária Avós da Praça de Maio denunciou nesta segunda-feira (9) o fechamento de um escritório responsável pela identificação de bebês roubados durante a ditadura argentina (1976-1983) e exigiu do presidente Mauricio Macri sua imediata reabertura.
Trata-se da direção de Direitos Humanos do Ministério da Segurança, onde funcionava o chamado Grupo Especializado de Assistência Jurídica (AGEAJ) para o recolhimento de amostras de sangue para a identificação de crianças desaparecidas.
“Este setor tem tido um papel fundamental na pesquisa documental e na produção de relatórios para auxiliar as investigações criminais por crimes contra a humanidade”, indicou a organização em um comunicado.

O órgão estima que cerca de 500 bebês foram roubados ao nascer em prisões clandestinas e depois entregues sob outra identidade. Seu trabalho permitiu reencontrar 119 dessas crianças.

A mudança veio à tona através da publicação do novo organograma do Ministério da Segurança na última sexta-feira.
O AGEJ foi criado a pedido das Avós para impedir que a coleta de amostras de sangue permanecesse nas mãos das forças de segurança, que “em muitos casos agiram em cumplicidade com os apropriadores, forjando amostras para tornar impossível o reconhecimento” dos bebês roubados, indicou a agência.

As Avós pediram ao presidente Mauricio Macri que “adote as medidas necessárias para reverter esta grave decisão”.
Caso contrário, a organização humanitária ameaça denunciar esta medida ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Esta não é a primeira briga entre a organização e o governo de centro-direita de Macri, que tomou posse em 10 de dezembro.
A remoção, em janeiro, do neto recuperado Horacio Pietragallia Corti da presidência do Arquivo Nacional da Memória que funcionava na exEsma, a maior prisão clandestina mantida pela ditadura, também causou tensão.

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Fonte: G1