Vista geral de Stepanakert, principal cidade de Nagorno Karabakh (Foto: David Mdzinarishvili/Reuters)
O Azerbaijão anunciou neste domingo (3) um cessar-fogo unilateral na região de Nagorno Karabakh depois de manter combates violentos no sábado contra as forças armênias. No entanto, ameaçou atacar novamente no caso de suas tropas serem agredidas novamente.
“O Azerbaijão, como mostra de boa fé, decidiu cessar as hostilidades de forma unilateral”, afirmou o ministro azeri de Defesa em um comunicado, advertindo ainda que se as forças armênias “não pararem com as provocações, libertará todos os territórios ocupados pela Armênia.

Bacu também prometeu reforçar várias posições estratégicas, que disse ter libertado dentro da região controlada pela Armênia. Essa região é internacionalmente reconhecida como parte do Azerbaijão.

No entanto, o porta-voz do ministério da Defesa de Nagorno Karabakh disse à AFP que os enfrentamentos não pararam ao longo da linha de combate.
“Neste momento, ocorrem intensos confrontos nos setores do sudeste e nordeste da linha de frente de Karabakh”, assegurou.

Horas antes, as forças de Karabakh reivindicaram a tomada da estratégica colina de Lala-Tepe, capturada por tropas azeris no sábado. O governo de Bacu negou essa informação.

Ao menos 30 pessoas morreram em confrontos na fronteira entre a Armênia e o Azerbaijão desde a noite de sexta-feira, que levaram a Rússia e os países ocidentais a pedir um cessar-fogo na região de Nagorno Karabakh, disputada pelos dois países do Cáucaso desde os anos 1990.
“Doze soldados azeris morreram em combate e um helicóptero foi abatido pelas forças armênias”, declarou em um comunicado o ministério da Defesa do Azerbaijão, que assegurou que seu exército retomou duas colinas estratégicas e uma aldeia nesta região.

“Do nosso lado, são 18 soldados mortos e 35 feridos”, anunciou o presidente armênio, Serge Sarkissian em uma entrevista à TV local, sem especificar se os combatentes pertenciam ao exército regular ou à milícia Nagorno Karabakh, apoiada por Yerevan.
Nos combates, também foi destruído um tanque azeri na explosão de uma mina, de acordo com Bacu.

“Tratam-se dos combates mais graves desde a adoção do cessar-fogo em 1994”, afirmou Sarkissian.
Segundo o Azerbaijão, esses combates teriam resultado também na morte de cerca de cem soldados armênios, mas a Armênia negou essas informações.

Yerevan admitiu, no entanto, que depois de meses de combates esporádicos, “o Azerbaijão lançou na sexta-feira um ataque maciço na fronteira de Nagorno Karabakh, com tanques, artilharia e helicópteros”.
Em Nagorno Karabakh, as forças separatistas apoiadas pela Armênia anunciaram ter abatido dois helicópteros e um drone e destruído três tanques, assegurando que os azeris mataram um menino de 12 anos e feriram outros dois civis em uma localidade fronteiriça.

No total, o governo armênio contabilizou sete civis feridos nesta região separatista, apoiada por Yerevan.
Os armênios de Nagorno Karabakh se apoderaram a região depois de uma guerra entre 1988 e 1994 que deixou 30 mil mortos.

Criaram uma república independente que não foi reconhecida internacionalmente. Desde 1994 está vigente um cessar-fogo, mas nunca foi assinado um acordo de paz definitivo.

Em Moscou, o presidente Vladimir Putin pediu “um cessar-fogo imediato e demonstração de moderação para evitar que haja novas vítimas”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov.
Nagorno Karabakh é uma região situada no Azerbaião, povoada, nos tempos da União Soviética, por maioria armênia.

O Azerbaijão, rico em petróleo e cujo o orçamento de defesa é maior que o orçamento total da Armênia, ameaça regularmente com retomar à força a região separatista se as negociações não chegarem a um acordo.
A Armênia, que conta com o apoio da Rússia, responde que pode fazer frente a qualquer ofensiva.

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Fonte: G1