Um morador abre os braços em frente a um prédio desmoronado após um terremoto atingir a costa do Pacífico em Portoviejo, no Equador (Foto: Henry Romero/Reuters)
Perto de completar o prazo decisivo de três dias para encontrar sob os escombros sobreviventes do forte terremoto que deixou 413 mortos no Equador, bombeiros e equipes de resgate prosseguem nesta terça-feira (19) com os trabalhos para tentar detectar sinais de vida nas ruas devastadas.
Impacientes e cansados, mas ainda com esperança, parentes de desaparecidos acompanham as tarefas de resgate do que o presidente Rafael Correa chamou de “pior tragédia em 67 anos”.
No balneário turístico de Pedernales (oeste), epicentro do terremoto de 7,8 grau de sábado às 18h58 (20h58 de Brasília) que também deixou mais de 2 mil feridos na costa equatoriana e cidades destruídas, a esperança persiste, apesar do número de vítimas aumentar a cada dia.

Diante da montanha de escombros do que antes era o hotel Royal, um complexo de cinco andares com piscina, Laura Taco observa os trabalhos dos bombeiros e espera alguma notícia milagrosa sobre sua sobrinha e sua cunhada.
“Não entraram em contato e temos certeza de que estão aqui, porque o carro está na parte de trás, no estacionamento do que era o hotel Royal”, disse à AFP.

As histórias de resgates de sucesso 48 horas depois do tremor e o trabalho incansável dos bombeiros, policiais, militares e cães farejadores, assim como voluntários de outros países, mantêm a esperança dos parentes.
Na segunda-feira, uma pessoa foi resgatada com vida dos escombros na cidade de Portoviejo, no local em que ficava o hotel ‘El Gato’.

Na mesma cidade do estado de Manabí (oeste, o mais afetado), o centro devastado, com edifícios que desabaram e ruas repletas de postes sobre o asfalto, foi abandonado e conta apenas com a presença das forças de segurança para evitar saques.Socorristas buscam sobreviventes de terremoto em Portoviejo (Foto: Rodrigo Abd/AP)
O terremoto, de mais de um minuto de duração e considerado o mais forte no Equador em 40 anos, devastou a costa do país, do sul ao norte, com vários edifícios reduzidos a escombros, estradas destruídas e blocos de pedra e ferro retorcido nas áreas frequentadas por turistas.

Desde sábado foram registrados mais de 200 tremores secundários, que devem prosseguir nos próximos dias no país, “em estado de exceção”.
Em uma visita a Pedernales na segunda-feira, o presidente Rafael Correa advertiu que a reconstrução da região vai demorar anos e custará “centenas, provavelmente bilhões de dólares”.

O governo equatoriano ativou fundos de US$ 450 milhões para a reconstrução e receberá linhas de financiamento do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outras instituições, assim como ajuda material e humana de países como Venezuela, Colômbia, Espanha e Peru.
Correa pediu ao país que aprenda com a tragédia.

“Desta dolorosíssima experiência, oxalá retiremos lições para o futuro. Depois do terremoto do Haiti, começaram a estudar normas de construção muito mais fortes, que já eram aplicadas em 2014, mas antes disto realmente havia construções tremendamente precárias e por isso, talvez, os danos são maiores”.

O presidente estimulou os equatorianos a ser “mais rígidos nas normas de construção”.
“Muitos edifícios desabaram pela construção ruim.

Ninguém quer eludir responsabilidades, mas esta responsabilidade e sobretudo dos governos locais”, disse Correa.
De acordo com as autoridades, o balanço de 413 vítimas fatais e mais de 2.

000 feridos deve aumentar nos próximos dias.
Entre os mortos há sete colombianos, um americano, uma irlandesa e dois canadenses.

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Fonte: G1