Estudantes de ensino médio e universitários franceses se manifestavam novamente nesta terça-feira (5) contra o projeto de lei trabalhista impulsionado pelo governo, alvo de um forte movimento de protesto social há quase um mês.
Cento e trinta pessoas foram detidas em Paris “para verificar identidades” pouco antes do início da manifestação e depois que foram registrados confrontos entre manifestantes e policiais, informou a prefeitura.
A polícia utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar grupos de jovens que lançavam pedras, garrafas e ovos, gritando “a polícia em toda parte, a justiça em nenhum lugar”.

Depois destes confrontos, no início da tarde milhares de estudantes começaram a se manifestar em calma em Paris atrás de uma bandeira que pedia a retirada do projeto de lei trabalhista e o aumento dos salários e das aposentadorias.
Liderando a marcha estavam os líderes dos grêmios de estudantes, aos quais se uniram os dos sindicatos de trabalhadores.

“Estudantes, desempregados e assalariados, vamos lutar juntos, vamos vencer juntos”, gritavam os manifestantes.Polícia utilizou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar jovens (Foto: Stephane Mahe/Reuters)
Em outras cidades da França foram registradas pela manhã outras manifestações de estudantes e assalariados, como em Ruan (oeste), Marselha (sul), Rennes (oeste) e Le Havre.

O presidente francês, François Hollande, e seu governo enfrentam este movimento social contra seu projeto de lei trabalhista há quase um mês.
A última grande manifestação de trabalhadores e estudantes, no dia 31 de março, reuniu em diferentes cidades da França entre 390.

000 (segundo a polícia) e 1,2 milhão de pessoas (de acordo com os sindicatos). Outro grande protesto está marcado para sábado.

A Noite de PéParalelamente, pela quinta noite consecutiva, centenas de pessoas ocuparam na noite passada a emblemática Praça da República de Paris para denunciar o projeto de lei trabalhista, considerado muito favorável aos patrões, mas também a política de segurança ou os problemas de habitação, em uma ação que lembra a dos Indignados da Espanha.
A alguns metros da estátua da República, onde o memorial improvisado após os atentados de novembro permanece erguido, centenas de pessoas se reúnem todas as noites, em uma ação que batizaram de “A Noite de Pé”, desde 31 de março, quando a praça foi ocupada pela primeira vez depois da grande manifestação de trabalhadores e estudantes.

Todas as noites, os militantes acampam na praça e depois são desalojados no início da manhã pela polícia.
Trata-se de “construir um movimento social forte, que reúna todos os precários diante da oligarquia”, explica Camille, uma das organizadoras.

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Fonte: G1