As forças do regime sírio prosseguiam ganhando espaço nesta segunda-feira (4) no centro do país diante dos jihadistas do Estado Islâmico (EI), poucas horas depois da morte em um ataque aéreo do porta-voz da Al-Qaeda no país.
Abu Firas al Suri (o Sírio), cujo nome real era Raduan Namus, havia combatido os soviéticos no Afeganistão, onde conheceu Osama Bin Laden e Abdallah Azam, pai fundador da Jihad internacional.
Depois de passar pelo Iêmen, o sexagenário voltou à Síria com a revolução de 2011, segundo os especialistas.

“Era um veterano da Al-Qaeda. Enviaram-no ao Iêmen para fazer contrapeso ideológico ao Estado Islâmico”, grande rival jihadista da Al-Nosra na Síria, explica à AFP Pieter Van Ostaeyen, historiador e observador dos movimentos jihadistas on-line.

“É um golpe duro para a Al-Nosra, mesmo que não a afete muito em nível operacional”, considera.
Segundo fontes do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) em terra, a força aérea de Damasco seria responsável pelos bombardeios que mataram Firas al Suri, quando ele se reunia com outros jihadistas da Al-Nosra, da Jund al Aqasa e jihadistas uzbeques em uma localidade da província de Idlib (noroeste).

De acordo com o OSDH, entre os mortos também figura o filho do porta-voz da Al-Nosra e outros sete responsáveis jihadistas.
Advertência à Al-NosraA trégua, globalmente respeitada, entre rebeldes e o regime de Bashar al-Assad há mais de um mês, permitiu tanto ao exército sírio quanto ao seu aliado russo e à coalizão liderada pelos Estados Unidos se concentrar na luta contra os jihadistas, excluídos do acordo.

Desde 27 de fevereiro, a Al-Nosra, aliada dos insurgentes em várias regiões sírias, mantinha um low-profile, mas na sexta-feira o grupo tomou a localidade de al Eis, na província de Aleppo, limítrofe com Idleb. Nesta operação morreram ao menos 12 combatentes do grupo xiita libanês Hezbollah, aliado do governo sírio.

“Trata-se da maior operação já realizada pela Al-Nosra desde a trégua”, afirma Rami Abdel Rahmane, diretor do OSDH.
O assassinato de Firas al Suri, em sua opinião, pode ser uma advertência do regime à Al-Nosra, para que o grupo não volte a tentar movimentos similares no futuro.

Seus rivais do EI também perderam nas últimas semanas vários de seus comandantes em bombardeios da coalizão dirigida pelos Estados Unidos, que desde 2014 realizam uma campanha aérea contra os jihadistas na Síria e no Iraque.
Um comandante militar do grupo, o tunisiano Abu al Haija, morreu na quarta-feira em um ataque de drone, provavelmente comandado pela coalizão.

Quinze comandantes do EI acusados de ter revelado a posição de Abu al Haija foram posteriormente executados pelos jihadistas, segundo o OSDH. “É a maior execução de responsáveis de segurança do EI” até a data, afirma o Observatório.

Reconquista de Al-QaryataynNo centro da Síria, o exército de Damasco recuperou no domingo o controle da cidade de Al-Qaryatayn, um dos últimos redutos do EI na região.
Os jihadistas se retiraram da cidade após uma ofensiva lançada há cerca de um mês pelas tropas do regime ao mesmo tempo em que a batalha de Palmira, situada na província central de Homs.

A cidade antiga foi retomada em 27 de março.
“Só restará ao EI nesta província o reduto de Sojna, 70 km a nordeste de Palmira”, disse o diretor do OSDH.

Nesta segunda-feira, o exército chegou aos arredores desta localidade, onde eram registrados intensos combates, segundo o OSDH.
A tomada de Al-Qaryatayn, situada 120 km a sudoeste de Palmira, permite garantir a segurança da cidade antiga e impedir o retorno dos jihadistas, que destruíram muitos tesouros arqueológicos e executaram 280 pessoas em 10 meses de ocupação.

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Fonte: G1