O candidato à presidência da Áustria pelo partido FPÖ, Norbert Hofer, posa para fotógrafos no domingo (24), em Viena (Foto: Robert Jaeger/APA/AFP)
O candidato de extrema-direita do partido FPÖ, Norbert Hofer, foi o mais votado neste domingo (24) no primeiro turno da eleição presidencial austríaca com 36,4% dos votos e 16 pontos de vantagem sobre seu rival mais próximo, um ecologista, segundo resultados oficiais.
O resultado de Hofer é o melhor obtido por seu partido em uma eleição nacional na Áustria desde a Segunda Guerra Mundial.
O segundo candidato mais votado neste primeiro turno foi o ecologista Alexander Van der Bellen, com 20,4% dos votos.

O segundo turno será disputado entre os dois candidatos no dia 22 de maio.
Em terceiro lugar, ficou a candidata independente Irmag Griss com 18,5%.

O social-democrata Rudolf Hundstorfer (SPÖ) e o conservador Andreas Khol (ÖVP) foram eliminados, com 11,2% dos votos cada um.
Esta é a primeira vez que os grandes partidos tradicionais serão eliminados no primeiro-turno.

“É um resultado histórico, que reflete as qualidades de Norbert Hofer, mas também uma profunda insatisfação em relação ao governo”, destacou o líder do FPÖ, Heinz-Christian Strache, em declaração à rede de televisão pública ORF.
Na França, a presidente do partido de extrema-direita Frente Nacional, Marine Le Pen, que segundo as pesquisas disputará o segundo turno nas eleições presidenciais em 2017, afirmou que este é um “resultado magnífico”, e disse “bravo ao povo austríaco” em sua conta do Twitter.

Apesar de a função do presidente austríaco ser essencialmente honorífica, um fracasso dos candidatos dos grandes partidos poderia supor uma advertência para o chanceler Werner Faymann (SPÖ) e para o vice-chanceler Reinhold Mitterlenher (ÖVP), cujo mandato termina em 2018.
O desgaste do poder foi reforçado pelo fato de os dois partidos (que ficaram de fora do segundo turno) governarem juntos há oito anos, o que faz do FPÖ e dos Verdes os únicos partidos de oposição, afirmam os analistas.

“Como em outras partes da Europa, estamos assistindo a erosão dos partidos tradicionais, que há dez anos não conseguem se renovar nem atrair novos eleitores”, explicou à AFP antes da votação o cientista político Peter Hajek.
A crise dos imigrantes e o aumento do desemprego também afetaram os partidos tradicionais em benefício da formação de extrema direita FPÖ, que superou a barreira de 30% dos votos em várias cidades durante as eleições municipais do ano passado.

“Normalmente, as eleições presidenciais se centram na personalidade dos candidatos. Mas neste ano, temas como os refugiados e o desemprego tiveram um papel importante”, explicou Karin Cvrtila, do instituto OGM.

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Fonte: G1