Fotografias e vídeos divulgados nesta sexta-feira (6) mostram caos e destruição em um campo de refugiados sírio que foi alvo de ataques aéreos. Ao menos 28 pessoas morreram e 50 ficaram feridas nos bombardeios, que ocorreram na quinta-feira no campo de Idlib, perto da cidade de Sarmada, na fronteira com a Turquia.
Entre as vítimas, várias delas crianças, havia famílias que fugiram dos combates que têm se intensificado na cidade de Aleppo, perto dali.

O número de mortos pode aumentar por conta dos diversos feridos graves, relatou o Observatório Sírio para Direitos Humanos.
A comunidade internacional expressou indignação com o ocorrido, considerado pela ONU um provável crime de guerra.

Os vídeos mostram barracas azuis destruídas, em chamas, em meio a gritos de adultos e choro de crianças (veja acima). Muitos voluntários correram para tentar apagar as chamas no campo devastado.

Tendas do campo de refugiados de Idlib destruída por bombardeios aéreos na Síria (Foto: AFPTV/AFP)
Em algumas imagens divulgadas na internet por militantes — apresentadas como cenas da tragédia — também é possível observar os feridos, incluindo muitas mulheres, gritando de dor. Em outro vídeo, equipes de emergência colocam cobertores sobre os corpos carbonizados.

Várias vítimas perderam membros e as cenas são fortes.
Até o momento não foi possível determinar quem está por trás dos bombardeios.

Aviões do regime, da Rússia e da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos sobrevoam a Síria.
Segundo o chefe de direitos humanos da ONU, relatos iniciais sugerem que um avião do governo da Síria foi responsável pelo incidente.

O governo negou envolvimento. O exército sírio chegou a afirmar que os rebeldes atacaram recentemente “alvos civis” para depois acusar o governo de Damasco.

Os insurgentes, no entanto, não dispõem de aviões.Bombeiros trabalham no campo de refugiados de Idlib, atingido por bombardeios aéreos (Foto: Reuters)
A Rússia também negou que qualquer avião do país ou da Síria tenha sobrevoado na quinta-feira a região do campo de refugiados.

“Nenhum avião russo ou qualquer outro sobrevoou a área”, afirmou o porta-voz do ministério russo da Defesa, Igor Konashenkov, antes de destacar que o campo de deslocados poderia ter sido alvo de um ataque “premeditado ou acidental de artilharia” dos jihadistas da Frente Al-Nosra.
Os rebeldes sírios acusam a aviação do regime de Damasco de ser responsável pelo bombardeio.

Ao menos 28 pessoas morreram em ataque ao campo de refugiados de Idlib, na Síria (Foto: AFPTV/AFP)Ataque deliberado”Os bombardeios são um crime de guerra”, anunciou o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos.
“Estes acampamentos de barracas estão instalados nesta área há várias semanas e podem ser observados com facilidade.

É extremamente improvável que os ataques tenham sido acidentais. É muito mais provável que tenham sido deliberados e constituam um crime de guerra”, afirmou Zeid Ra’ad Al Hussein em um comunicado.

A diplomacia britânica se declarou “horrorizada” com o ataque, que atribuiu ao regime de Assad.
Stephen O’Brien, secretário da ONU para Assuntos Humanitários, concordou que o ataque “pode constituir um crime de guerra” e pediu uma investigação imediata.

A União Europeia chamou o ataque de “inaceitável” e o governo dos Estados Unidos afirmou que, embora não esteja confirmada a autoria do regime sírio no bombardeio, este corresponde “totalmente” a suas operações anteriores.
A guerra na Síria, que desde 2011 provocou mais de 270.

000 morte, forçou milhões de pessoas a fugir, o que provocou uma tragédia humanitário que tem consequências inclusive na Europa.
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Fonte: G1