Palestinos olham cena de área atingida por ataque aéreo na Faixa de Gaza. Testemunhas dizem que alvo de ataque desta quinta-feira (5) era oficina (Foto: Mohammed Salem/ Reuters)
O exército de Israel bombardeou nesta quinta-feira (5) quatro posições do movimento islamita palestino Hamas ao norte da Faixa de Gaza, um território palestino que registra um aumento da tensão desde quarta-feira (4). Desta vez, o exército israelense acusa diretamente o Hamas.

“Em resposta aos ataques em curso contra as tropas israelenses, um aparelho da Força Aérea de Israel atacou durante a madrugada quatro áreas terroristas do Hamas no norte da Faixa de Gaza”, afirma um comunicado militar.
De acordo com fontes médicas, quatro pessoas da mesma família, três crianças e um homem de 65 anos, foram hospitalizadas com ferimentos leves e médios após um bombardeio no bairro de Al Zeytun, sudeste da cidade de Gaza.

O bombardeio tinha como alvo uma oficina mecânica, informou à AFP o dono do local, Hasan Hasanen. Ele disse que seus veículos não são utilizados pelo Hamas, servem apenas para “trabalhos imobiliários e de construção.

O exército israelense afirmou que apenas o Hamas, que governa a Faixa de Gaza, foi alvo dos ataques. Mas o ministério do Interior do grupo islamita informou que dois mísseis atingiram uma base de treinamento do Al-Quds, o braço armado da Jihad Islâmica, a segunda força islamista nos territórios palestinos, ao norte da Faixa Gaza, provocando danos, mas não feridos.

Aparelhos israelenses já haviam atacado, na quarta-feira, cinco posições do Hamas no sul da Faixa de Gaza, após confrontos na fronteira entre o território palestino e Israel, cenário de três guerras entre 2008 e 2014.
Os primeiros incidentes foram registrados na terça-feira, com disparos contra um grupo de soldados israelenses, e se tornaram mais graves na quarta-feira.

A resposta israelense começou com disparos de tanques, antes dos ataques aéreos.
O setor israelense ao redor de Nahal Oz foi declarado “zona militar fechada pela primeira vez desde a guerra de 2014.

Os incidentes são os mais graves registrados desde o cessar-fogo iniciado há quase dois anos entre Israel e os grupos armados palestinos.
Israelenses e palestinos se enfrentaram em julho e agosto de 2014 na mais longa e devastadora das três guerras na Faixa de Gaza desde 2008.

Esta guerra provocou a morte de 2.251 pessoas, em sua grande maioria civis, do lado palestino, segundo a ONU, e 73, incluindo 67 soldados, do lado israelense.

O cessar-fogo foi violado de forma esporádica com disparos de foguetes de Gaza para Israel, atribuídos a grupos armados que rejeitam a autoridade do Hamas.
Israel responde aos disparos com ataques contra as posições do Hamas, grupo que considera responsável pela segurança no território que controla desde 2007.

Nos últimos dias, “o Hamas realizou disparos de morteiro e de foguetes contra tropas israelenses” operando ao longo da barreira de segurança entre Israel e a Faixa de Gaza, informou um oficial hebreu.
As atividades israelenses têm um caráter “defensivo”, já que buscam proteger Israel de incursões palestinas, destacou o Exército hebreu.

Concretamente, o objetivo das forças israelenses é localizar e destruir os túneis que o Hamas utiliza para realizar ataques contra comunidades de civis israelenses próximas à fronteira.
“O Exército israelense não tolera e nem tolerará nada que suponha uma ameaça à vida dos habitantes do sul de Israel, e está determinado a desbaratar qualquer tentativa neste sentido”.

Sami Abou Zouhri, porta-voz do Hamas em Gaza, fez um apelo para que “todas as partes envolvidas assumam suas responsabilidades para deter a ofensiva”, em referência ao Egito, mediador das negociações de trégua em 2014.
.

Fonte: G1