Jornais estrangeiros expressaram sua opinião, em editoriais publicados nesta sexta-feira (13), sobre a troca de governo no Brasil após o afastamento da presidente Dilma Rousseff aprovado pelo Senado brasileiro.
O “New York Times” criticou o desempenho de Dilma como política e líder, mas afirmou que “não há evidência de que ela tenha abusado do poder para ganhos pessoais, enquanto muitos dos políticos que orquestraram sua saída foram implicados em um esquema gigantesco de propina e em outros escândalos”. O texto cita Eduardo Cunha e Michel Temer entre os investigados.

Editorial do jornal New York Times sobre o afastamento de Dilma Rousseff (Foto: Reprodução/New York Times)
Para o jornal, Dilma e o PT vêm enfrentando uma crise de confiança nos últimos meses, mas a presidente afastada “está prestes a pagar um preço desproporcionalmente alto por delitos administrativos, enquanto muitos de seus mais ardentes detratores são acusados de crimes muito mais graves”.
O “New York Times” destaca que o Brasil vive sua maior recessão desde 1930 e afirma que agora “a crise política está minando a fé na saúde de sua jovem democracia”.

Já o também americano “Wall Street Journal” afirmou em seu editorial que, ao ser afastada, Dilma se une à lista de “líderes socialistas fracassados” da América Latina. O texto compara o governo do PT com o de países como Venezuela e Bolívia.

“A boa notícia é que o povo latino-americano está ficando esperto para a fraude política do socialismo e do estatismo, e esperemos que isso leve a uma redescoberta de uma tradição melhor na economia do continente, encabeçada por personalidades como Hernando de Soto no Peru e Fernando Henrique Cardoso no Brasil”, afirma.Editorial do jornal Wall Street Journal sobre o afastamento de Dilma Rousseff (Foto: Reprodução/Wall Street Journal)
Citando dados sobre a recessão econômica, taxa de desemprego e inflação no país, o jornal afirma que “não há como negar o perigoso estado do Brasil sob o governo de esquerda” de Dilma, e diz que agora Michel Temer vai “tentar assegurar aos mercados que é mais competente que sua antecessora”.

Para o britânico “The Guardian”, o verdadeiro problema é o modelo político brasileiro, classificado pelo jornal como “falido”.
O editorial, entitulado “O sistema político deveria ir a julgamento, não apenas uma mulher”, defende a necessidade de “fazer mudanças radicais na constituição que que tornem a política mais executável e honesta”, mas duvida que Michel Temer leve adiante essa tarefa.

Editorial do jornal The Guardian sobre o afastamento de Dilma Rousseff (Foto: Reprodução/The Guardian)
O “Guardian” diz que os erros da presidente contribuíram para sua queda, mas também afirma que o “prejuízo machista contra uma líder mulher” e o “rancor de uma direita que nunca aceitou de fato a ascensão do PT” desempenharam um papel na abertura do processo de impeachment.
O francês “Le Monde” também criticou o sistema político brasileiro.

“Com não menos de 30 partidos representados no Congresso – forçando tanto a esquerda quanto a direita a fazer alianças no mínimo vacilantes -, é todo o sistema político brasileiro que parece sem fôlego”, afirma o texto.
Para o jornal, Dilma “teve seu mandato brutalmente interrompido” depois de “manobras que não honram o conjunto de uma classe política brasileira amplamente desacreditada”.

Segundo o jornal, a tarefa de Michel Temer é “pesada”. “Resta ver se ele vai ter o talento para recriar o que o Brasil mais precisa: a confiança em seus líderes”, finaliza o texto.

O espanhol “El País” criticou o afastamento do presidente e usou o título “Um Brasil a temer”. Para o jornal, a medida, “longe de resolver a crise institucional que o Brasil vive, a aprofunda”.

Ao explorar os motivos alegados para afastar Dilma, o “El País” classifica as pedaladas fiscais de “má prática”, mas destaca que ela foi usada pelos antecessores de Dilma no cargo e por governos democráticos de outros países. Diz também que o judiciário não encontrou provas que vinculem Dilma aos casos de corrupção política e empresarial que “destruíram a reputação do país entre seus próprios cidadãos e ante a opinião pública internacional”.

Editorial do jornal El País sobre o afastamento de Dilma Rousseff (Foto: Reprodução/El País)
O jornal espanhol informa que Temer pertence ao mesmo partido do “verdadeiro motor da destituição de Rousseff, Eduardo Cunha”, e diz que ele enfrenta uma “tarefa titânica” que inclui acabar com a recessão econômica, a crise de credibilidade da classe política e a fragmentação parlamentar que torna o país ingovernável. “Apesar de seu arranque ter sido questionável, Temer é obrigado a abordar com seriedade esses desafios”, conclui.

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Fonte: G1