Em Londres, manifestantes protestam contra medidas austeras neste sábado (16) (Foto: Neil Hall/ Reuters)
Dezenas de milhares de pessoas protestaram neste sábado (16) em Londres contra os cortes do governo e alguns pediram a renúncia do primeiro-ministro conservador, David Cameron, após as revelações sobre os ativos de seu pai em um paraíso fiscal, segundo a France Presse.
Os manifestantes marcharam até a Trafalgar Square para pedir mais investimentos em saúde, moradia, educação e melhores salários no setor públicos e alguns carregavam cartazes pedindo a demissão de Cameron. “Cameron tem que ir embora.

Fora conservadores!”, diziam.
Os veículos da mídia britânica informaram que os manifestantes chegaram a dezenas de milhares de pessoas, enquanto a polícia não divulgou números.

Compareceram à manifestação membros da oposição do Partido Trabalhista, militantes pacifistas e sindicalistas que pediam uma maior proteção para a indústria siderúrgica.
A manifestação estava programada antes da publicação dos Panama Papers, que revelaram que o pai de Cameron teve ativos em um fundo em um paraíso fiscal.

A Assembleia do Povo, um dos movimentos que convocaram o protesto, disse que essas revelações “provam que este é um governo para os privilegiados”.
“A austeridade que sofremos não é por necessidade econômica, é uma decisão política”, disse em um vídeo divulgado durante a manifestação do líder trabalahista Jeremy Corbyn.

Cameron reconheceu que teve até 2010, pouco antes de chegar ao poder, ações empresa offshore que seu pai Ian criou nas Bahamas, e que aparece citada nos documentos do escritório panamenho Mossack Fonseca.
Ter uma offshore não é ilegal, desde que a empresa seja declarada no Imposto de Renda.

Cameron afirmou que pagou impostos sobre os lucros que obteve com a venda das ações.
Depois, tomou a decisão sem precedentes de divulgar suas declarações de renda dos últimos seis anos, mas uma pesquisa publicada neste sábado revelou que 52% dos eleitores acreditam que não foi “honesto nem transparente” em relação a suas finanças.

Segundo uma pesquisa da ComRes para os jornais The Independent e Sunday Mirror 44% da população acredita que a condução do tema foi “moralmente repugnante”.
“Alguém em sua posição, tem o dever de preocupar-se com o povo do país e de ser muito, mas muito transparente”, disse à AFP Sarah Henney, uma das manifestantes.

Essas revelações acontecem em um momento complicado para Cameron, que enfrenta por um lado críticas pela forma como conduz a economia e por outro lado o início da campanha para o referendo de 23 de junho sobre a permanência do Reino Unido na UE, em que o primeiro-ministro defende a permanência no bloco.
.

Fonte: G1