Mulheres de etnia Yazidi atuam em Nawaran, no Iraque, em registro feito em 20 de abril de 2016 (Foto: Ahmed Jadallah/ Reuters)
Quando o Estado Islâmico invadiu Sinjar, cidade do norte do Iraque, em 2014, algumas poucas jovens da etnia yazidi pegaram em armas contra os militantes que atacavam mulheres e meninas de sua comunidade.
“Eles levaram oito das minhas vizinhas e os vi matando crianças”, contou Asema Dahir à Reuters no mês passado em um posto de controle próximo da linha de combaye ao norte da cidade de Mosul.
Vestida com uniforme militar, a jovem de 21 anos hoje é parte de uma unidade exclusivamente feminina das forças curdas iraquianas conhecidas como peshmerga, que vêm desempenhando um papel importante na repressão ao Estado Islâmico no norte do Iraque.

O assassinato e a escravização de milhares de membros da minoria yazidi iraquiana chamaram atenção internacional para a campanha violenta do grupo extremista para impor sua ideologia radical, e levaram os Estados Unidos a lançar uma ofensiva aérea.
Os abusos também induziram a formação da unidade incomum formada por 30 mulheres yazidis, assim como curdas do Iraque e da vizinha Síria.

Para elas, só uma coisa importa: vingar as companheiras estupradas, espancadas e executadas pelos militantes jihadistas.Grupo mulheres curdas da Síria e do Iraque em Sinjar em 2014 (Foto: Ahmed Jadallah/ Reuters)
Asema disse que ficou chocada com a brutalidade dos radicais, alguns dos quais eram vizinhos e outros de fora da área.

“Eles mataram meu tio e levaram a esposa de meu primo, que tinha se casado oito dias antes”, disse ela, de olhos marejados. A esposa, como milhares de mulheres yazidis, ainda está nas mãos dos militantes.

Durante os combates que irromperam em Sinjar em 2014, Asema disse ter matado dois combatentes do Estado Islâmico antes de levar um tiro na perna. A Reuters não pôde confirmar de maneira independente os relatos pessoais.

Haseba Nauzad, comandante de 24 anos da unidade, perdeu o marido, com quem vivia na Turquia quando a facção extremista varreu o norte iraquiano e anunciou seu assim chamado califado em áreas que incluíram terras curdas tradicionais.
“Eu os vi estuprando minhas irmãs curdas e não pude aceitar essa injustiça”, afirmou.

Seu marido quis pagar traficantes de pessoas que os levariam à Europa, assim como as mais de um milhão de pessoas em fuga dos conflitos na região, mas ela insistiu em ir para casa combater os islâmicos.
“Coloquei minha vida pessoal de lado e vim defender minhas irmãs e mães curdas e enfrentar esse inimigo”, contou ela, que perdeu contato com o companheiro depois que ele chegou à Alemanha.

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Fonte: G1