O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, fala durante assembleia geral das Nações Unidas sobre as drugas (Foto: Mike Segar/Reuters)
Os presidentes dos três grandes produtores de cocaína da América Latina – Colômbia, Peru e Bolívia – uniram suas vozes nesta quinta-feira (21) na ONU para enterrar de uma vez a “receita da repressão” na luta contra as drogas e para promover uma abordagem baseada na saúde e na cooperação internacional.
O colombiano Juan Manuel Santos, o peruano Ollanta Humala e o boliviano Evo Morales discursaram no encerramento da sessão especial da Assembleia Geral da ONU sobre o problema mundial das drogas, aberta na terça-feira em Nova York.
Santos denunciou o fracasso da chamada “guerra contra as drogas” lançada pelos Estados Unidos na década de 1970 para pôr fim ao tráfico, defendendo que é hora de rever o tratamento, agora, com uma abordagem humana.

Ele condenou a “receita baseada na repressão”.
A Colômbia foi um dos países que impulsionaram a sessão, junto com México e Guatemala.

Segundo o presidente colombiano, o documento aprovado pela ONU é um “passo na direção correta”, que se aproxima de uma visão “mais global”, embora “não seja suficiente”.
Ainda de acordo com Santos, a sessão especial da ONU marca um “processo irreversível de transformação da política de drogas”.

Antes dele, Ollanta Humala pediu que se enfrente o problema do ponto de vista de uma “responsabilidade compartilhada” entre países produtores e consumidores, como os Estados Unidos. “O Peru está fazendo seu trabalho” e reduziu a área de cultivo de cocaína para narcotráfico de 63 mil hectares há cinco anos, para atuais 33 mil, informou.

Humala defendeu o “uso milenar da folha de coca”, pediu “respeito” pelos povos que utilizam-na com fins medicinais, ou para se alimentar, e destacou a importância de “se levar a presença do Estado” para zonas de cultivo.
Ele se referiu ainda à reconversão dos cultivos, citando o exemplo do desenvolvimento do cacau no Peru, hoje em dia “oitavo produtor mundial”, graças ao cultivo em zonas antes dedicadas à coca.

Já o boliviano Evo Morales pediu “ações concretas” para liberar a região “do problema da droga como pretexto de dominação”. “É preciso acabar com o intervencionismo”, afirmou o presidente boliviano, que também pediu um novo olhar para esse tema.

No encontro, Morales mostrou uma folha de coca, a qual disse usar em sua forma natural por se tratar de um “alimento saudável” e “medicinal”.
A sessão especial da Assembleia Geral da ONU sobre as drogas foi aberta na terça-feira (19), com a aprovação de um documento que busca estabelecer uma nova abordagem de saúde compartilhada por vários países da América Latina.

Apesar dos avanços, muitos países, entre eles Brasil e Costa Rica, manifestaram sua decepção com a ausência de uma moratória à pena de morte. Outros, como Uruguai e Jamaica, criticaram que não se tenha incluído algum tipo de menção à descriminalização da posse de determinadas substâncias.

.

Fonte: G1