Imagem de arquivo mostra integrantes do grupo Boko Haram e seu líder, Abubakar Shekau (Foto: AFP PHOTO / BOKO HARAM)
A ONG Human Rights Watch denunciou o silêncio das autoridades nigerianas sobre o sequestro de cerca de 400 mulheres e crianças na cidade de Damasak, norte do país, há mais de um ano pelo grupo radical Boko Haram.De acordo com o relato de moradores locais na época, militantes do grupo radical islâmico Boko Haram sequestraram mais de 400 mulheres e crianças quando abandonaram a cidade que foi libertada das mãos do Boko Haram em 9 de março de 2015 pelas tropas chadianas e nigerianas.
“Eles levaram 506 mulheres e crianças e mataram 50 antes de saírem”, disse o comerciante Souleymane Ali à agência de notícias Reuters à época.

O coronel Toumba Mohamed, comandante nigeriano das forças de Damasak, disse que entre 400 e 500 pessoas foram sequestradas.
Maior do que o sequestro das 276 estudantes de Chibok, que provocou uma onda de indignação internacional, este último em Damasak aconteceu em 24 de novembro de 2014, segundo a ONG e moradores locais.

Imagem de vídeo divulgado pelo Boko Haram mostra meninas com vestes islâmicas rezando ao ar livre; jovens seriam as sequestradas em abril em Chibok, na Nigéria (Foto: Boko Haram/AFP)
Sob a presidência de Goodluck Jonathan, o governo nigeriano desmentiu, em março de 2015, as notícias sobre esse sequestro coletivo. Um senador local e uma fonte de segurança também negaram essas informações.

Medo”Mantivemos silêncio sobre esse sequestro por medo de provocar a ira do governo, já às voltas com o constrangimento provocado pelo sequestro das estudantes de Chibok (em abril de 2014)”, disse um funcionário local à agência France Presse, pedindo para não ser identificado.
“Todos os pais têm medo de falar”, acrescenta este homem, que teve um filho de sete anos sequestrado.

Segundo ele, os políticos foram alertados por moradores que fugiram de Damasak e “não disseram nada e nos ignoraram”.
Os islamitas “foram às escolas particulares e corânicas e sequestraram até crianças de cinco anos”, testemunhou um chefe local de Damasak, que pediu para não ser identificado.

“Sequestraram crianças de suas mães na cidade. Meus 16 sobrinhos foram sequestrados.

Eles tinham entre cinco e seis anos”, declarou a mesma fonte, que contou ter voltado ao local para enterrar “mais de 200 pessoas em fossas comuns”.
Segundo o relatório da HRW, uma mãe continua até agora sem notícias dos filhos de dois e quatro anos sequestrados no dia do ataque.

Vários moradores acusaram o governo de querer abafar, deliberadamente, o sequestro coletivo de Damasak.
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Fonte: G1