A ONU pediu nesta quarta-feira (30) a solidariedade dos países desenvolvidos para que recebam meio milhão de de refugiados sírios nos próximos três anos, ao mesmo tempo em que as tropas do regime de Damasco intensificam a ofensiva contra os jihadistas.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou em Genebra que a crise dos refugiados sírios exige “um aumento exponencial da solidariedade mundial”.
“Estamos aqui para responder à maior crise de refugiados e deslocados de nosso tempo (.

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) Isto exige um aumento exponencial da solidariedade mundial”, declarou na abertura de uma conferência para buscar países de recepção.
O secretário-geral destacou que pelo menos 480.

000 sírios, ou seja, 10% dos refugiados e deslocados que fugiram do conflito na Síria, precisam de um país de acolhida nos próximos três anos.
“Os vizinhos da Síria demonstraram uma hospitalidade excepcional”, disse.

O Líbano, recordou, recebeu mais de um milhão de sírios, a Turquia mais de 2,7 milhões e a Jordânia mais de 600.000.

Mas de acordo com um relatório divulgado na terça-feira pela ONG britânica Oxfam, os países ricos receberam apenas 67.100 refugiados sírios, o que representa 1,39% do total.

“Quando se administra bem, a acolhida de refugiados é uma vantagem para todos”, disse Ban.
Os refugiados “aportam novos talentos e novas experiências a uma mão de obra que envelhece”, completou.

Ban recordou que a ONU busca uma solução política para o conflito que provocou mais de 270.000 mortes desde 2011.

“Mas à espera de que estas negociações apresentem frutos, o povo sírio e a região enfrentam uma situação desesperada. Todos os países podem fazer mais”, disse.

Fechar portas, elevar murosO Alto Comissário da ONU para os Refugiados (Acnur), Filippo Grandi, afirmou que as condições de vida nos países vizinhos da Síria são “cada vez mais difíceis”. Ele disse que 90% dos refugiados sírios vivem abaixo do limite da pobreza e que pelo menos 10% são considerados “extremamente vulneráveis”.

“Não podemos responder a uma crise global de refugiados fechando as portas e elevando muros”, completou, em referência ao acordo entre União Europeia (UE) e Turquia sobre a devolução de migrantes que chegam à Grécia.
Grandi lamentou que mais de 50% dos 11 bilhões de dólares prometidos em fevereiro na conferência de doadores de Londres para a Síria e países vizinhos ainda não foram financiados.

No campo militar, as tropas de Damasco prosseguem com a ofensiva contra o grupo Estado Islâmico (EI) no centro da Síria após a reconquista da cidade de Palmira, abandonada por seus habitantes.
O exército tenta assegurar a retomada de Palmira e impedir que os jihadistas ataquem outra vez.

A cidade, de 2.000 anos e que é parte do patrimônio mundial da humanidade, foi parcialmente destruída durante os 10 meses de ocupação do EI.

“A artilharia síria bombardeia intensamente as zonas de combate”, anunciou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). A aviação também ataca Sokhneh, ao leste de Palmira, local de refúgio dos jihadistas.

Caso o regime conquiste esta cidade, ficará muito perto da província petroleira de Deir Ezzor (leste), controlada em grande parte pelo EI.
O presidente Bashar al-Assad fez um apelo a Ban Ki-moon a todas las organizações da ONU para que ajudem o governo sírio a restaurar Palmira, “ícone da civilização”.

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Fonte: G1