O escritório de advocacia panamenho Mossack Fonseca está no centro de um escândalo internacional de lavagem de dinheiro e evasão fiscal após o vazamentos de milhões de documento da firma.Além de advogado, Fonseca é escritor e foi conselheiro do governo do ex-presidente do Panamá Juan Carlos Varela (Foto: AFP)
Os 11 milhões de papéis mostram supostos vínculos de 72 chefes e ex-chefes de Estado, incluindo acusados de saquear seus próprios países.
Além disso, inúmeras personalidades internacionais que vão desde o mundo político ao esportivo foram mencionadas neste escândalo.

Mas quem são Jürgen Mossack e Ramón Fonseca Mora, os homens por trás da empresa que está no olho do furacão?Jürgen MossackJürgen Mossack nasceu na Alemanha em 1948, mas emigrou para o Panamá nos anos 1960.
O pai de Mossack decidiu se mudar após servir no Exército alemão na Segunda Guerra Mundial, de acordo com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês).

Processo de inteligência e documentos que vieram à tona mostram que o pai de Mossack ofereceu seus serviços de espião ao governo americano para comunicar atividades comunistas na vizinha Cuba.
Já Jürgen Mossack se firmou em direito em 1973 e trabalhou em Londres por um tempo até retornar ao Panamá e abrir seu próprio escritório.

Mais tarde, em 1977, seu escritório se fundiu com o de Ramón Fonseca Mora e ambos criaram o grupo Mossack Fonseca (Grupo MF), “líder global em serviços integrais de caráter legal e fiduciário”, segundo seu site.
A empresa tem mais de 40 escritórios em todo o mundo e é especializada em direito comercial, serviços fiduciários, assessoria em investimentos e estruturas internacionais.

O que agora está no centro financeiro do escândalo são seus serviços offshore: os documentos filtrados mostram que o Grupo supostamente ajudou clientes a esconder suas riquezas em contas bancárias, lavar dinheiro e estabelecer esquema de evasão de impostos.Ramón Fonseca MoraRamón Fonseca Mora é outro advogado e também fundador do grupo GM.

Diferentemente de Mossack, Fonseca Mora nasceu no Panamá (1952) e estudou direito e ciências políticas na Universidade do Panamá e na London School of Economics (LSE).
Antes disso, Fonseca Mora primeiro tentou ser padre e depois trabalhou cinco anos na ONU.

“Não salvei ninguém nem fiz nenhuma mudança. Decidi então, ao ter mais maturidade, me dedicar a minha profissão, formar uma família, me casar e levar uma vida normal.

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À medida que uma pessoa envelhece fica mais materialista”, disse em uma entrevista em 2008, segundo o ICIJ.
Além de ser advogado, Fonseca Mora leva uma vida social muito ativa e é conhecido por ter publicado livros de ficção: contos, romances e peças teatrais.

Mister Politicus é um de seus romances que chamam atenção, porque “articula os emaranhados processos dos quais funcionários inescrupulosos se valem para se manter no poder e, dali, satisfazer suas detestáveis ambições”, descreve Fonseca Moro em seu site.
Além de ter dirigido um hospital, criado um banco para pessoas com renda limitada e ter sido membro do conselho de assessoria da organização não governamental Transparência Internacional (de acordo com seu currículo), Fonseca Mora foi ministro conselheiro da Presidência do Panamá no governo de Juan Carlos Varela.

Mas no início de março, Fonseca Mora pediu licença para se defender das acusações da Lava Jato que o vinculavam ao escândalo de corrupção na Petrobras.
A Mossack Fonseca foi acusada de facilitar a abertura de empresas offshore no Panamá a vários implicados na Lava Jato, para lavar dinheiro desviado da estatal por meio de operações imobiliárias.

DefesaFonseca Moro explicou no domingo à televisão panamenha que sua empresa tem 40 anos de existência, que nunca foi julgada em nenhum tribunal e que a empresa se dedica à criação de sociedades que até hoje poderiam alcançar um total de 240 mil empresas.
O advogado explicou que seus clientes são, em maioria, intermediários com bancos, advogados, contadores e administradores.

“Como escritório de advocacia nos limitamos a criar a sociedade, não a administrá-la e não temos responsabilidade no que a sociedade faz”, afirma Fonseca à TVN Notícias.
O advogado reconheceu que alguns dos documentos que vieram a público pertencem a sua empresa e que isso foi produto de uma “ação limitada de um hacker”.

O ICIJ e o jornal alemão Sueddeutsche Zeitung obtiveram os documento.
O Panorama, programa investigativo da BBC, é um dos 107 veículos de comunicação de 78 países que analisaram os documentos.

A BBC desconhece a identidade das fontes.
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Fonte: G1