Manifestantes preparam novo protesto contra mudança na legislação trabalhista, nesta terça-feira (3), em Paris (Foto: Francois Mori/AP)
O Parlamento francês começa a debater nesta terça-feira (3) o projeto de lei trabalhista apresentado pelo governo socialistas, que provocou uma onda de protestos e fortes divisões na esquerda.
Trata-se do último projeto de importância do mandato do presidente François Hollande, e também desatou grandes protestos sociais, a um ano da próxima eleição presidencial.
Sindicatos de trabalhadores e estudantes organizam nesta terça-feira um novo protesto perto da Assembleia Nacional (Câmara de Deputados) para se manifestar contra um projeto que consideram inaceitável.

Desde 9 de março, os sindicatos organizam manifestações nacionais, que resultaram em confrontos com as polícia.
A manifestação de 31 de março, a mais numerosa, acabou com a formação de um movimento cidadão chamado “Nuit debout” (Noite de pé), em que os manifestantes ocupam todas as tardes a Práca da República, em Paris.

Ao menos 170.000 pessoas participaram das manifestações organizadas em todo o país, 15.

000 apenas em Paris, segundo a prefeitura. Mas, de acordo com o maior sindicato da França, o CGT, 60.

000 pessoas protestaram na capital francesa e 500.000 em todo o país.

O projeto de lei El Khomri, que leva o nome da ministra do Trabalho, Myriam El Khomri, dá maiores poderes às empresas em termos de organização do tempo de trabalho e demissões. Para seus detratores, aumentará a precariedade trabalhista.

A reforma inclui medidas que concederiam mais flexibilidade às empresas para contratar e demitir os trabalhadores, em uma tentativa de superar o desemprego que ronda 10% e que afeta principalmente os jovens (24%).
Para conseguir maior apoio, o texto, que já sofreu várias emendas, terá de ser modificado nos dez dias de debates previstos.

A votação final deverá ocorrer em 17 de maio.
Como último recurso, o governo poderá recorrer ao artigo 49-3 da Constituição, que permite que evite a votação de um projeto de lei evocando a responsabilidade do governo.

Se uma moção de censura não é apresentada em 24 horas, o texto é considerado nesse caso adotado.
O governo já recorreu a este artigo no ano passado, para fazer adotar outro controvertido projeto de lei.

Recorrer a este artigo, a um ano das eleições presidenciais, significará para o governo descontentar ainda mais o eleitorado de esquerda que, segundo as pesquisas, está majoritariamente insatisfeito com o balanço da presidente de François Hollande.
O presidente ainda não declarou se vai se candidatar para um novo mandato, mas tudo indica que sim, apesar de suas impopularidade.

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Fonte: G1