Presidente de Cuba, Raúl Castro, abriu o 7º Congresso do Partido Comunista de Cuba (Foto: Ismael Francisco/Cubadebate via AP)
O Partido Comunista de Cuba (PCC), máximo órgão de decisão, buscará a partir deste sábado resolver a incógnita ‘Mudança ou continuidade?’ sobre o rumo que a ilha tomará, após oito anos de flexibilização econômica, e de reaproximação política com os Estados Unidos.
O PCC instalou a partir das 10h locais (14h GMT) seu sétimo Congresso, em um ambiente de baixa expectativa de reformas entre os cubanos frente ao entusiasmo externo que gerou o restabelecimento de relações com o inimigo da Guerra Fria.
Os primeiros sinais indicam que durante o Congresso que se reunirá até terça-feira será feita apenas uma revisão do plano de atualização do modelo econômico de viés soviético, que inclui uma abertura gradual ao trabalho privado, o investimento estrangeiro e a descentralização do Estado.

O mandatário Raúl Castro, de 84 anos, concentra boa parte da atenção por presidir, como primeiro-secretário do partido, seu último congresso à frente do poder.
Castro já antecipou que deixará o cargo em 2018, embora possa continuar influenciando as decisões como dirigente histórico do PCC junto com seu irmão Fidel (89 anos), que apesar de ter deixado o poder em 2006 por motivo de saúde continua sendo delegado do partido.

O desafio geracional Apesar da nova era de relações com Estados Unidos, Raúl Castro ratificou o rumo socialista de Cuba, sem atender aos chamados à abertura política e econômica.
Talvez por isso, para os cubanos mais velhos e próximos à Revolução de 1959, quando os Castro conquistaram o poder, este Congresso poderá apenas trazer novos alívios à situação econômica, lastrada pelo embargo americano ainda em vigor.

Esta reunião “vai trazer boas perspectivas para o desenvolvimento do país, minha economia avançará e meu estado social avançará”, disse Roberto Díaz, de 78 anos.
Entre os jovens, a posição é muito mais céptica.

“Se poderia melhorar para mim? Não acho, o mais provável (..

.) é que fique igual.

Realmente acho que todo mundo tem baixa expectativa em praticamente qualquer coisa; nos acostumaram muito a não ter expectativas em nada”, disse Leonardo Gamboa, caricaturista de 20 anos.
O analista Arturo López-Levy, cientista político da Universidade do Texas de Rio Grande Valley, acredita que o objetivo do PCC é dar resposta a “um grupo importante da população que já virou a página da era revolucionária”.

“Se o PCC quer seduzir esses setores a adotar suas metas, terá que fabricar um novo consenso. Na economia este objetivo implica construir uma economia que dê maiores recursos para promover seus interesses cada vez mais pluralizados”, escreveu o especialista em um artigo divulgado pela imprensa.

Diferentemente de outras edições do congresso -que em teoria deve ser celebrado a cada cinco anos-, não houve maior debate prévio.
Só os 1.

000 delegados do partido e 3.500 “convidados” analisaram os documentos do congresso, cujos debates só serão acessados pela imprensa oficial.

O Congresso deve eleger um novo Comitê Central (o atual tem 116 membros) e o seleto Gabinete Político (14 membros). Raúl Castro pode ser reeleito como primeiro-secretário por um segundo e último período de cinco anos.

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Fonte: G1