Protestos contra a reforma trabalhista em Nantes, na França, neste sábado (9) (Foto: JEAN-SEBASTIEN EVRARD / AFP)
Dezenas de milhares de pessoas voltaram às ruas neste sábado (9), na França, para protestar contra o projeto de reforma trabalhista do governo socialista de François Hollande, com episódios de violência em Paris e em várias outras cidades.
Um mês depois da primeira manifestação contra o texto, considerado muito liberal por seus opositores, 120.000 pessoas marcharam por toda a França, segundo o Ministério do Interior.

Apesar da determinação dos organizadores, a afluência era menor do que em convocações anteriores. No dia 31 de março, 390.

000 pessoas saíram às ruas, segundo a Polícia; 1,2 milhão de pessoas, de acordo com os sindicatos.
Os organizadores apontavam as férias escolares como motivo do maior comparecimento.

Manifestantes usam máscaras durante protesto em Marselha, no sul da França, neste sábado (9) (Foto: ANNE-CHRISTINE POUJOULAT / AFP)
Nas cidades de Nantes e Rennes (oeste), dois dos principais focos de contestação, assim como no encerramento da marcha em Paris, foram registrados confrontos neste sábado entre manifestantes e policiais.
Em Rennes, ao menos quatro pessoas, incluindo três policiais, ficaram feridas.

Em Nantes, os manifestantes ergueram barricadas, vitrines foram destruídas, e jornalistas foram atacados violentamente.
Em Paris, três policiais ficaram feridos, segundo a prefeitura.

No total, 26 pessoas foram detidas, indicou o Ministério do Interior.
Esta é a sexta vez em que sindicatos de trabalhadores e estudantes convocam os franceses a saírem às ruas para exigir que a reforma seja retirada.

O governo socialista defende esta reforma em nome da luta contra o desemprego que afeta 10% da população economicamente ativa. Seus opositores alegam, porém, que é muito favorável aos empregadores, criticando especialmente a revisão dos critérios que permitem a demissão econômica.

Pessoas se reuniram em Bordeaux para prostetar contra a reforma trabalhista (Foto: MEHDI FEDOUACH / AFP)
O projeto de reforma será debatido na Assembleia Nacional a partir de 3 de maio.
‘Game Over’Em Paris, milhares de pessoas marcharam com cartazes que carregavam slogans como “Game Over, o povo acorda”, ou simplesmente “Não”.

“Estamos fartos da exploração capitalista que é cada vez pior”, explicou em Lille, no norte do país, o professor aposentado Gérard.
Durante a noite, estão planejados encontros cidadãos do movimento “Nuit Debout” (Noite de Pé) em cerca de 60 cidades francesas.

Desde 31 de março, este movimento ocupa a Praça da República em Paris e se estendeu a outras cidades francesas, chegando, inclusive, a Bruxelas. Estes manifestantes, que lembram o movimento dos “indignados” na Espanha e que receberam o apoio do Partido Podemos, têm aspirações que vão além da rejeição da lei trabalhista.

Entre os temas na agenda estão os refugiados, os problemas de habitação, a corrupção, ou a exigência de mais democracia.
“Não confiamos mais em nossos representantes.

O sistema está se esgotando, as pessoas devem voltar a ter seu destino nas mãos”, estimou Thierry, que participou da primeira “Noite de Pé” organizada em Nice, no sudeste da França, na noite de sexta-feira.
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Fonte: G1