Foto de arquivo de julho de 2011 mostra o campo de refugiados Dadaab, o maior do mundo, no leste do Quênia (Foto: Tony Karumba/AFP/Arquivo)
O governo do Quênia anunciou, na última sexta-feira (13), que por motivos de segurança fechará o campo de refugiados de Dadaab, no leste do país, considerado o maior do mundo, com aproximadamente 328 mil refugiados, a maioria da Somália.
A decisão, anunciada pelo ministro da Segurança Interna do país, foi condenada pela ONU e por diversas organizações internacionais que trabalham com assistência aos refugiados.
Segundo o ministro Joseph Nkaissery, o campo de Dadaab ameaça a segurança do Quênia porque abriga alguns dos extremistas islâmicos do grupo al-Shabab, ligado à al-Qaeda, e porque serve de canal de contrabando de armas.

Nkaissery também disse que seu ministério dissolveu o departamento de assuntos de refugiados, responsável por supervisionar o registro e o bem-estar dos refugiados no país.RepercussãoO Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) manifestou “profunda preocupação” com a notícia e pediu que o governo queniano reconsidere sua decisão.

“No contexto global de hoje de cerca de 60 milhões de pessoas deslocadas à força, é mais importante do que nunca que as obrigações internacionais de asilo prevaleçam e sejam devidamente apoiadas”, disse o Acnur.Imagem de 2011 mostra refugiados somalis recém-chegados a Dadaab em fila para receber vacinas de funcionários da MSF (Foto: AP)“À luz disto, e por causa das consequências potencialmente devastadoras para centenas de milhares de pessoas que o encerramento prematuro do recebimento de refugiados teria, o Acnur apela ao governo do Quênia a reconsiderar a sua decisão e evitar tomar qualquer ação que possa estar em desacordo com as suas obrigações internacionais”, concluiu a agência.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, também disse em comunicado que estava preocupado com a decisão de fechar o campo, e pediu ao Quênia para “continuar com seu papel de proteger e abrigar vítimas de violência e trauma, de acordo com as suas obrigações internacionais”.
A organização Médicos Sem Fronteiras, que mantém em Dadaab um hospital de 100 leitos e duas clínicas, afirmou que o fechamento do campo teria “consequências humanitárias graves”.

Kenneth Lavelle, gestor do programa de MSF em Dadaab, defendeu a “criação de acampamentos menores em locais mais seguros, com melhores serviços” com o apoio internacional, para que os refugiados de Dadaab não tenham que voltar à Somália, devastada pela guerra.
“O Quênia pode assumir a liderança e dar o exemplo para outros países, incluindo aqueles no Ocidente, sobre como tratar humanamente aqueles que fogem da guerra e do conflito”, disse.

Além disso, um grupo de 11 organizações não governamentais – entre elas o Comitê Internacional da Cruz Vermelha – emitiu um comunicado em que exigem que o governo do Quênia reconsidere a decisão. As organizações afirmam que a decisão de fechar o campo “viola o princípio geral de repatriação voluntária dos refugiados que vivem no Quênia de voltar para seus países de maneira segura e digna”.

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Fonte: G1