Asya Hekmat é uma iraquiana de etnia curda que fugiu do país com sua família em busca de uma vida melhor na Europa.Asya Hekmat viu filhos e marido morrerem em acidente durante travessia entre Turquia e Grécia (Foto: BBC)
Porém, em janeiro passado, perdeu 16 parentes quando o barco que levava o grupo da Turquia para a Grécia virou.
Entre os mortos estavam dois filhos e o marido de Asya.

“Minha vida foi destruída. Meu marido, crianças, irmãs e sobrinhas.

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Todos se afogaram”, disse ela à BBC em Atenas.
Rayan, o filho mais velho, foi salvo pelo marido de Asya, que acabaria se afogando ao tentar nadar até a costa em busca de ajuda.

A refugiada agora está na Grécia, na esperança de continuar a viagem. Algo que ficou mais complicado desde que a União Europeia e a Turquia assinaram um acordo que prevê a deportação de imigrantes ilegais para a Turquia como forma de desestimular novas chegadas e mortes.

Asya contou ao repórter Jiyar Gol que pensou em cometer suicídio, mas desistiu para poder continuar cuidando do filho.
“Pensei que minhas crianças teriam uma vida melhor na Europa.

Mas a Europa virou um túmulo para minha família”.A família de Aysha, em uma foto tirada apenas dias antes da travessia (Foto: Reprodução)
Essam Daod, voluntário em um hospital grego, conta que refugiados como Asya frequentemente são levadas ao desespero pela morte de parentes e por vezes têm de ser contidos à força para não pularem de janelas de abrigos.

Daod diz ainda que o apoio psicológico para migrantes que sofreram traumas vem principalmente de voluntários.
“Eles estão nervosos o tempo todo com memórias do que aconteceu com eles em lugares como a Síria, o Iraque e o Afeganistão.

É muito difícil dar o tratamento adequado, sobretudo nos campos, quando precisamos receitar remédios”.Rayan, a única criança sobrevivente (Foto: BBC)
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Fonte: G1