O trabalhista Sadiq Khan discursa após o anúncio de sua eleição como prefeito de Londres, na sexta (6) (Foto: AP Photo/Kirsty Wigglesworth)
O candidato trabalhista Sadiq Khan se tornou, nesta sexta-feira (6), o primeiro muçulmano a ser eleito prefeito de Londres.
Sadiq Khan, de 45 anos e filho de um motorista de ônibus do Paquistão, teve 1.310.

143 de votos e venceu o conservador Zac Goldsmith, filho de um bilionário e casado com uma Rotschild, que teve 994.614 votos.

Durante a campanha, Goldsmith e o primeiro-ministro David Cameron insistiram em apresentar Khan como alguém com vínculos com extremistas muçulmanos, uma estratégia que parece ter-se voltado contra os conservadores.
Sadiq Khan nasceu em 1970 em uma família paquistanesa recém-chegada ao Reino Unido.

Ele cresceu em um bairro de Tooting, uma área popular do sul de Londres, com seus seis irmãos e uma irmã.
Seu pai era um motorista de ônibus, e a mãe, costureira.

Diferentemente da maioria dos parlamentares britânicos, toda sua educação foi em escolas públicas.
A eleição de Khan é uma ótima notícia para o líder trabalhista Jeremy Corbyn, que enfrentou seu primeiro teste eleitoral sob os olhares atentos dos críticos de seu partido.

“Em toda a Inglaterra, havia previsões de que perderíamos municípios. Isso não aconteceu, aguentamos firme”, declarou Corbyn a um grupo de correligionários.

Para o professor de Política Matthew Goodwin, da Universidade de Kent, “o Partido Trabalhista tem um problema sério, ainda que a eleição de um prefeito trabalhista em Londres distraia a atenção. É o terceiro na Escócia, pela primeira vez desde 1910, e não conseguiu impressionar no sul da Inglaterra, onde terá de investir se quiser vencer as próximas eleições gerais de 2020”.

Separatistas vencem na EscóciaNa Escócia, o partido separatista SNP conquistou 63 dos 129 assentos em jogo, onde os trabalhistas caíram para terceiro lugar, com 24 assentos, atrás dos conservadores (31) nesta região do norte de forte tradição trabalhista e contestatória.
Em comparação com as eleições de 2011, os nacionalistas perderam seis cadeiras, os conservadores ganharam 16, e os trabalhistas, que não param de perder influência desde o referendo de independência em 2014, cederam 13.

A grande vencedora das eleições na Escócia foi a líder conservadora Ruth Davidson, que combina eloquência com simpatia, que nunca escondeu sua homossexualidade e que, em suma, transcende as posições de seu partido.
A chefe do governo regional e do SNP, Nicola Sturgeon, declarou que vão governar sozinhos e que não têm “intenção de buscar um acordo formal” com outro partido.

O objetivo do SNP nessas eleições era fortalecer a hegemonia local e conseguir um mandato para exigir um novo referendo sobre a independência, algo que poderia acontecer depois de 23 de junho, dia do referendo sobre a União Europeia.
Também foram realizadas eleições regionais no País de Gales e Irlanda do Norte.

No País de Gales, os trabalhistas venceram sem maioria absoluta, e o UKIP, o partido antieuropeu de Nigel Farage, conquistou sete assentos na assembleia, sua primeira incursão em um parlamento regional. Os resultados do Ulster serão conhecidos no sábado.

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Fonte: G1