Ivan Shamyanok, morador de vilarejo ao lado de ‘zona de exclusão’ do desastre de Chernobyl, bebe chá em sua casa (Foto: REUTERS/Vasily Fedosenko)
Ivan Shamyanok, de 90 anos, diz que o segredo para uma vida longa é não deixar sua terra natal, mesmo que ela seja um vilarejo na Bielorrússia contaminado com material radioativo de um desastre nuclear.
O vilarejo em que mora, chamado Tulgovich, está à beira de uma “zona de exclusão” permanentemente contaminada por material radioativo, que chegou por nuvens após o teste fracassado na usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, então uma república soviética, no dia 26 de abril de 1986. O acidente forçou mais de 100 mil pessoas a deixar esta zona, que tem 2.

600 km², aproximadamente o tamanho de Luxemburgo, através da fronteira entre a Ucrânia e a Bielorrússia.Mas Shamyanok e sua esposa recusaram a oferta para se mudar e nunca tiveram qualquer efeito nocivo de radiação.

“Tudo bem até agora. Os médicos vieram ontem, me colocaram na cama e me examinaram.

Disseram: ‘tudo bem com você, vovô”, diz Shamyanok.Ivan Shamyanok, de 90 anos, diz que o segredo para a longevidade é não abandonar sua terra natal; ele mora em vilarejo ao lado da zona de exclusão criada após o desastre de Chernobyl, em 1986 (Foto: REUTERS/Vasily Fedosenko)
“Minha irmã morava aqui com seu marido.

Eles decidiram ir embora e logo estavam enterrados..

. Eles morreram de ansiedade.

Eu não sou ansioso. Eu canto um pouco, dou uma volta no quintal, levo as coisas devagar e vivo assim”, afirma.

A chegada dos 30 anos do desastre tem mostrado uma nova luz no impacto humano de longo prazo da pior fusão nuclear da história.O número oficial de mortos pelo acidente, a curto prazo, foi de 31, mas muitas pessoas morreram por doenças ligadas à radiação, como o câncer.

O número total de mortos e os efeitos na saúde no longo prazo continuam um tema de intenso debate.Shamyanok diz que a vida não mudou muito depois do desastre de Chernobyl, o pior desastre nuclear da história.

Ele e sua família continuaram comendo vegetais e frutas cultivados no seu próprio quintal e têm vacas, porcos e galinhas para a carne, leite e ovos.Shamyanok dá alimento aos porcos que matêm em sua casa no vilarejo de Tulgovichi, perto da zona de exclusão de Chernobyl (Foto: REUTERS/Vasily Fedosenko)
Agora que sua mulher morreu e seus filhos se mudaram, ele e seu sobrinho, que mora do outro lado do vilarejo, são os últimos que sobraram.

“As pessoas voltarão? Não, elas não voltarão. Os que queriam [voltar] já morreram”, diz.

Shamyanok leva uma vida sossegada. Ele se levanta às 6h, quando o hino nacional é transmitido pelo rádio, acende seu fogão de ferro fundido para aquecer o café da manhã e alimenta os porcos e seu cachorro.

Uma loja móvel que opera na parte traseira de um carro vai ao vilarejo duas vezes por semana e, aos domingos, a neta de Shamyanok o visita para cozinhar a comida da semana e limpar sua casa.Ele diz que não tem nenhum problema de saúde, mas às vezes toma remédios e bebe um pequeno copo de vodka antes das refeições “para ajudar o apetite”.

Ivan Shamyanok senta em frente à sua casa, perto da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia (Foto: REUTERS/Vasily Fedosenko)
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Fonte: G1