Osama Abdul Mohsen caminha com seu filho Zaid por rua de Getafe, na Espanha (Foto: REUTERS/Sergio Perez)
Lembranças do mundo do futebol, incluindo uma bola assinada pela estrela do Real Madrid, estão espalhadas pela casa em que o refugiado sírio Osama Abdul Mohsen vive com seus dois filhos na Espanha.
Marcas de sua nova vida de natureza improvisada também estão por todas as partes, sete meses depois que uma escola de esportes espanhola ofereceu a Mohsen uma casa e o ajudou a encontrar um emprego, quando souberam que ele era um treinador de um time sírio da primeira divisão.
A história de Mohsen se tornou conhecida mundialmente depois que ele foi filmado levando uma rasteira de uma cinegrafista húngara enquanto fugia da polícia perto da fronteira da Hungria com a Sérvia, no ano passado.

Naquele momento, ele estava carregando nos braços seu filho Zaid, de então sete anos, e os dois caíram no chão.A cinegrafista Petra Laszlo, de uma TV húngara, causou indignação internacional ao chutar refugiados que tentavam escapar de um bloqueio na fronteira com a Sérvia (Foto: Marko Djurica/Reuters)
As imagens do incidente atraíram a atenção de uma escola de treinamento de futebol em Getafe, nos arredores de Madri, que o ofereceu um emprego.

Zaid, hoje com sete anos, assim como Mohammed, de 17 anos, que estava na Alemanha na época, moram com seu pai.
O apartamento em que os intstalaram é decorado com objetos de outras pessoas, incluindo filas de enciclopédias em espanhol, uma língua que Mohsen ainda se esforça para falar.

E metade de sua família está ausente.
A mulher de Mohsen e seus outros dois filhos continuam em Mersin, no sul da Turquia.

A família saiu da cidade em guerra de Deir el-Zor há cerca de quatro anos.O refugiado sírio Osama Abdul Mohsen durante treino do time júnior Villaverde, na Espanha (Foto: REUTERS/Sergio Perez)
“Eu vejo meu futuro aqui”, diz Mohsen, cujos olhos brilham quando fala, num inglês pobre, sobre o time júnior local que às vezes ele ajuda a treinar, o Villaverde-Boetticher.

Mohsen é orgulhoso do modo com que seus filhos se adaptaram à escola e aprenderam o espanhol bem o suficiente para ajudar a traduzir para ele.
No entanto, a atenção e a preocupação dos meses recentes também são evidentes.

Mohsen se tornou algo como uma estrela de mídia, protagonista de uma das poucas histórias boas que emergiram da crise de refugiados que atinge a Europa. Centenas de milhares de refugiados ainda tentam fugir do conflito e da pobreza no Oriente Médio.

Osama Abdul Mohsen mora com seus filhos Zaid e Mohammad al Ghadabe em Getafe, na Espanha (Foto: REUTERS/Sergio Perez)
Ele diz que dá cerca de três entrevistas por dia. Mas toda essa atenção ainda não o ajudou a reencontrar sua família, apesar de ele dizer que já preencheu todos os papéis necessários para o pedido de visto.

“Preciso relaxar mais, estou muito cansado”, diz.
O governo da Espanha anunciou no fim do ano passado que aceitaria mais de 17 mil refugiados como parte dos esforços da União Europeia para reassentar os requerentes de asilo.

O refugiado sírio Osama Abdul Mohsen faz aulas de espanhol em centro social em Getafe, na Espanha, onde mora com seus filhos (Foto: REUTERS/Sergio Perez)
Até agora ele só recebeu 18 dos 200 que se comprometeu a acolher da Itália e Grécia, segundo os últimos dados da Comissão Europeia, embora espera-se a chegada de mais refugiados neste mês.
A Espanha também vai acolher 100 imigrantes sírios da Turquia, como parte do acordo com a União Europeia para bloquear o fluxo de imigrantes entrando ilegalmente pela Grécia.

Não está claro como o acordo vai afetar a situação de Mohsen.
O amor da família pelo futebol trouxe algum consolo, enquanto eles esperam por notícias.

Mohammed também joga em um time local, e Zaid entrou ao lado de Cristiano Ronaldo no estádio Bernabeu do Real Madrid.Zaid, filho de Osama Abdul Mohsen, entra em campo com Cristiano Ronaldo antes de partida do Real Madrid contra Granada no estádio Santiago Bernabeu em setembro em Madri (Foto: REUTERS/Sergio Perez/File Photo)
Mohsen agradece que o futebol o ajudou a encontrar um emprego em um país em que o desemprego é maior do que 20%.

Ele espera que sua experiência de treinador na Espanha um dia também beneficie a Síria.
“Talvez no futuro eu possa levar essa informação ao meu país”, diz sorrindo.

Osama Abdul Mohsen dá instruções a jogadores do time júnior Villaverde, na Espanha (Foto: REUTERS/Sergio Perez)Osama Abdul Mohsen e seu filho Zaid assistem a treino de futebol em Getafe, nos arredores de Madri (Foto: REUTERS/Sergio Perez)
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Fonte: G1