Migrantes são escoltado por policiais ao desembarcar na cidade turca de Dikili nesta sexta-feira (8). Eles estão no segundo grupo que deixou a ilha de Lesbos como parte do acordo de imigração entre Turquia e União Europeia (Foto: Tuncay Dersinlioglu/ Turquia)
Apesar de profundas dúvidas em alguns países, a União Europeia irá, nesta semana, prosseguir com um plano para conceder a turcos a entrada em países do bloco sem necessidade de visto, como recompensa pela redução no fluxo de refugiados e imigrantes para a Europa. 
A Comissão Europeia deve declarar na quarta-feira que a Turquia cumpriu com os critérios para liberação antecipada de vistos, e pedirá para governos da UE e para o Parlamento Europeu que aprovem a decisão até o fim de junho, disseram várias fontes da UE.

“Nós não abaixamos nossos padrões. A Turquia melhorou seu jogo”, disse um alto representante da UE que acompanha as negociações.

Ele tentou explicar como o braço executivo da UE pode verificar o cumprimento dos critérios após dizer a legisladores, há apenas duas semanas, que Ancara havia atingido menos da metade das exigências.  
A realidade política é que Bruxelas não pode dizer não e arriscar um colapso do criticado acordo entre UE e Turquia, fechado em 18 de março, destinado a conter a crise migratória na Europa.

 
Ações diretas da Turquia, em coordenação com a Grécia e a Otan, e o fechamento das fronteira nos Balcãs, praticamente travou a principal rota do Mar Egeu para pessoas fugindo da guerra e da pobreza na Síria e em outros países do Oriente Médio e da Ásia.
Dados entregues diariamente ao presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, mostram que novas chegadas de imigrantes a ilhas gregas caíram para 63 pessoas na última quinta-feira, frente a uma média de 10 mil por dia em outubro do ano passado.

 
O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, alertou que Ancara encerraria sua parte do acordo – receber de volta todos aqueles que chegarem à Grécia vindos de seu litoral – caso a Europa não entregue sua parte do compromisso. 
Autoridades da UE insistem que o bloco não fez promessas, e que a oferta aplica-se apenas se a Turquia cumprir com 72 condições legais e técnicas.

A Comissão relatou neste mês que Ucrânia e Geórgia haviam cumprido essas condições, e vai acrescentar Kosovo à lista na quarta-feira.
O caso da Turquia é mais sensível por conta de sua maior população, de 79 milhões de habitantes, e devido a seu falho histórico de direitos civis e de minorias, liberdade de expressão e Estado de direito.

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Fonte: G1