O líder do PT na Câmara, deputado Afonso Florence (BA), afirmou nesta terça-feira (12) que o vice-presidente da República Michel Temer “apunhalou a democracia pelas costas” ao aparecer, em um áudio divulgado “sem querer”, falando como se o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff estivesse concluído e como se ele fosse assumir a Presidência.

No áudio, o vice-presidente Temer defende um governo de “salvação nacional” porque, segundo afirmou, o país precisa de “reunificação” e “pacificação”. Ele também pede apoio de todos os partidos políticos para que a crise política seja superada e alternativas sejam encontradas. A gravação foi enviada por um aplicativo de celular para um grupo de parlamentares peemedebistas.

Florence também ironizou a carta enviada por Temer à Dilma, em dezembro do ano passado, em que fez críticas à maneira como era tratado no governo e relatou situações em que a petista não demonstrou confiança nela. A mensagem, segundo a assessoria de Temer, era de “caráter pessoal” e ele teria ficado surpreso com a sua divulgação.

Florence lembrou que Temer foi articulador do governo no ano passado em uma tentativa do Planalto de tentar recompor a base aliada e criticou a sua postura agora. “Ele foi articulador político do governo e apunhalou a democracia pelas costas, não só a presidente”, afirmou.

E ponderou que a decisão de deixar o cargo de vice-presidente é exclusiva dele, mas que a permanência dele ficará insustentável caso o governo consiga barrar o impeachment de Dilma.

“Se ele vai continuar à vontade para permanecer na Vice-Presidência, é uma decisão de foro político e pessoal. De fato, as relações não são da melhor confiança depois de ele fazer vazar duas vezes a sua posição de forma tão desleal em relação à presidente da República”, declarou.

Procurada, a assessoria da Vice-Presidência informou que Temer não iria comentar as declarações de Afonso Florence.

Desde que o áudio foi divulgado pela imprensa, Temer tem sido alvo de críticas de deputados da base que o acusam de articular um “golpe” para assumir a presidência no lugar de Dilma.

Ao comentar o áudio, Florence disse achar que, se Dilma continuar na Presidência, Temer “vai renunciar”.

“Mas aí ele deve fazer de alguma forma espetacular, preferencialmente vazando primeiro”, disse Florence, em tom de ironia, a jornalistas após uma reunião com a bancada do PT para discutir o cenário político. “Ele pode fazer outra carta patética ou um zap de endereço errado”, alfinetou.

Parecer


Na avaliação de Florence, a aprovação na comissão especial do parecer pela abertura do processo foi uma “vitória política” para o governo. Segundo ele, o placar de 38 votos a 27 votos mostra que a oposição não está com tanta folga assim.

Para o parecer ser aprovado no plenário, serão necessários votos de 342 dos 513 deputados. Caso seja aberto, o processo segue para ser julgado no Senado.

A estratégia agora, de acordo com o líder petista, é fazer um corpo-a-corpo com os deputados indecisos para garantir os votos para o governo. Ele disse estar confiante que a presidente conseguirá os votos necessários, mas não quis dizer qual a estimativa de votos que o governo trabalha.