O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, voltou a defender nesta sexta-feira (12) o tripé econômico formado por responsabilidade fiscal, controle da inflação e câmbio flutuante como ferramenta para o avanço da economia, apontando ainda o sistema financeiro como “alavanca para a recuperação econômica”. A declaração foi feita durante evento do BC em São Paulo, no seminário anual sobre riscos, estabilidade financeira e economia bancária.Ilan Goldfajn, presidente do BC, participa de seminário da instituição, em São Paulo.

(Foto: Karina Trevizan/G1)
Detalhando os três pontos, Goldfajn citou o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, ao apontar a importância de políticas de responsabilidade fiscal. “Já no lado do Banco Central, contribuiremos pela via do controle da inflação, que ajudará na redução do risco país, na recuperação da confiança e na retomada do crescimento”, disse.

Em relação ao câmbio flutuante, o presidente do BC afirmou que esse regime “tantas vezes já mostrou seu papel na estabilidade frente a choques”.Entenda como funciona o câmbio no Brasil
Ele apontou que o BC seguirá utilizando, “quando achar necessário” e “com parcimônia”, “as ferramentas cambias de que dispõe” para interferir no câmbio.

No entanto, Golfajn citou como “exemplo claro” de uma atual diminuição da intervenção na flutuação do dólar em relação ao real a “redução gradual em swaps cambiais”, “motivadas pelas condições do mercado”.
O BC tem diminuido o volume de intervenções no câmbio com swaps cambiais, especialmente após substituição de Alexandre Tombini por Goldfajn na presidência.

Inflação e expectativas sobre os jurosGoldfajn também reafirmou o compromisso do BC com as metas de inflação, “em particular com o processo de convergência para a meta de 4,5% em 2017”.
Após a decisão do Copom em manter novamente a Taxa Selic em 14,25% ao ano, Goldfajn afirmou que o BC está “dando atenção especial à comunicação e gerenciamento das expectativas”.

“Nossa comunicação tem deixado clara a importância das expectativas de mercado”, afirmou o presidente do BC, ressaltando que há outros fatores determinantes nas decisões do Copom. “Há diversos fatores que afetam a perspectiva da inflação, o Copom toma suas decisões baseado num amplo conjunto de informações.

”Cenário desafiadorGoldfajn disse que “o cenário nacional e internacional ainda se apresenta bem mais desafiador do que a média histórica”, mas defendeu que “devemos ter cautela e não tomarmos a situação atual como necessariamente permanente”.
“No Brasil, será de fundamental importância a aprovação e implementação de reformas capazes de restaurar a confiança”, avaliou.

O presidente do BC disse ainda que “o sistema financeiro nacional está sólido, líquido, bem capitalizado e resiliente a choques”, e “contribuirá para a recuperação da economia brasileira”. “Nosso papel é preservar essa solidez em diferentes cenários.


“Será importante caminhar no sentido de reformas econômicas para reduzir o custo do crédito, aumentar a potência das políticas monetárias e criar condições para o mercado fazer investimentos produtivos a longo prazo”, apontou Goldfajn.
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Fonte: G1