Bombril decide retirar expressão ‘produto 100% ecológico’ de embalagem após denúncia de falso apelo ecológico (Foto: Divulgação)
A Bombril decidiu mudar a embalagem da sua esponja de aço e retirar a expressão “100% ecológico”, após ter seu recurso rejeitado pelo Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) em julgamento de processo por falso apelo ambiental.
O caso se arrastava há mais de 3 anos e partiu de uma denúncia feita pela Proteste Associação de Consumidores por suposta maquiagem ambiental.
Em nota, a Bombril informou que a nova embalagem que será comercializada a partir da segunda quinzena de agosto.

Em decisão de março de 2014, o Conar já havia recomendado a alteração da embalagem e a retirada do termo “100% ecológico” por se tratar de um apelo ambiental de difícil comprovação.
A empresa sustentava, porém, ter pesquisas e documentos que atestavam a afirmação, o que levou a Proteste ingressar nova denúncia no Conar, na qual argumentou que mesmo sendo um produto degradável existiam outros impactos ambientais gerados durante a produção.

Advertência do ConarEm novo julgamento realizado em abril de 2016, o Conar voltou a pedir a alteração da embalagem. O órgão entendeu que os documentos apresentados pela empresa atestam que o produto é 100% biodegradável, mas não 100% ecológico.

A Bombril ingressou com um recurso, mas em decisão do dia 26 de julho os conselheiros do Conar decidiram, por unanimidade, manter o pedido de alteração, e ainda advertiu a empresa pelo não cumprimento da decisão do processo anterior, de 2013.
“Por não terem provado que o produto é 100% ecológico em todo o processo produtivo, a Proteste entendeu que existiu o pecado da mentira e o descumprimento do princípio da veracidade, previsto no Código de Autoregulamentação Publicitária”, afirma Lívia Coelho, advogada da Proteste, destacando que há no mercado outras esponjas com a mesma composição e que não se anunciam como “ecológicas”.

Em março, o Proteste apresentou ao Conar denúncia contra 12 produtos suspeitos de maquiagem ambiental ou de promover o chamado “greenwashing” – artifícios de marketing que se aproveitam do apelo da sustentabilidade para chamar a atenção para supostos  benefícios ambientais ou até mesmo para informações irrelevantes.
Além do caso Bombril, outros 4 processos sobre suposta maquiagem ambiental foram abertos no Conar a partir da denúncia da Proteste e ainda estão em fase de recurso.

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Fonte: G1